UBS BB levanta preocupações com desaceleração de receitas na Vivo
O banco de investimento UBS BB levantou preocupações com o crescimento da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, em relatório divulgado nesta semana. A instituição vê a tele em processo de desaceleração de receitas e projeta margens Ebitda abaixo de outras empresas de telecomunicações na América Latina.
O UBS BB reconheceu o cenário operacional relativamente estável da Vivo, mas faz previsões de crescimento, margens, capex e custos de arrendamentos culminando em crescimento do fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) de 5% – abaixo, portanto, da média de 12% ao ano prevista para os pares na América Latina.
O UBS BB ainda indica que os rendimentos de dividendos de FCF caíram para um dígito. Com isso, a operadora passa a ter um perfil de retorno “pouco atraente” e se torna uma “opção menos interessante” no mercado de telecom latino-americano.
Desaceleração de receitas
Segundo o relatório, os riscos relacionados à Vivo decorrem, principalmente, das receitas de serviços móveis. O segmento representa dois terços do faturamento de tele e estão “estruturalmente desacelerando em relação à inflação”.
A instituição financeira lembra que, nos últimos anos, as receitas de serviços móveis foram impulsionadas pela aquisição da Oi Móvel, cujos efeitos estariam perdendo força nos resultados.
No caso da receita de serviços fixos (29% do faturamento), a aposta é na manutenção da tendência positiva, com base em FTTH e B2B. Contudo, o segmento tem capacidade para compensar “apenas parcialmente” a desaceleração dos serviços móveis. Sendo assim, a receita geral da operadora deve reduzir o ritmo de crescimento.
Para o UBS BB, as margens Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Vivo devem continuar se expandindo, inclusive acima dos níveis históricos, em função do fim das despesas operacionais relacionadas à concessão de telefonia fixa.
No entanto, comparativamente, a evolução da margem Ebitda “deve ficar entre as mais fracas da América Latina”, aposta o UBS BB.
Efeito sobre as ações
O UBS BB promoveu um duplo rebaixamento para as ações da Vivo, trocando a recomendação de compra para venda. Inclusive, reduziu o preço-alvo de R$ 37,50 para R$ 36.
O banco ainda projeta FCF yield de cerca de 7% e carry yield de aproximadamente 12% para a Vivo, o que torna as ações menos atrativas em relação a pares comparáveis do setor de telecom.
O relatório surtiu efeitos no mercado. Na quarta, a ação ordinária da Vivo (VIVT3) teve baixa de 1,88% e encerrou o pregão cotada a R$ 41,30. Nesta quinta-feira, 12, por volta das 17h07, o papel era negociado a R$ 40,48, registrando queda de 1,99%.
