Domingo, 5 de Abril de 2026

Amazon acusa SpaceX de ‘reservar órbitas’ com plano de 1 milhão de satélites

O pedido da SpaceX junto à Federal Communications Commission (FCC) dos Estados Unidos (EUA) para lançar até um milhão de satélites de baixa órbita para operar data centers no espaço não foi bem recebido por concorrentes do mercado. A Amazon pediu ao órgão americano que rejeite a solicitação da empresa de Elon Musk.

A manifestação foi protocolada no último dia 6 de março no processo regulatório que analisa a proposta da SpaceX de utilizar satélites como infraestrutura para serviços de computação e processamento de dados no espaço no FCC – que funciona como a Anatel nos EUA.

No documento enviado ao regulador, a Amazon argumenta que o pedido da SpaceX não apresenta informações técnicas suficientes para permitir uma avaliação adequada do projeto. Segundo a empresa, a aplicação traz detalhes completos apenas para um número limitado de satélites, embora o sistema proposto possa chegar a um milhão de unidades.

A Amazon também levanta a possibilidade de que o pedido represente uma tentativa de monopolizar o espectro e posições orbitais sem um plano concreto de implantação. A petição afirma que a proposta poderia resultar na “reserva de recursos de órbita valiosos”.

Impossível?
Outro argumento levantado é de que a implantação total da constelação proposta “parece ser totalmente irrealista, se não impossível de alcançar no futuro previsível, a menos que haja um aumento sem precedentes na capacidade de lançamento global”. A companhia lembrou que 2025 representou um recorde de 4.526 satélites lançados em todo o mundo.

“Nesse ritmo, a implantação de um milhão de satélites pela Space X levaria mais de 220 anos”, afirma a petição. “A lógica de reposição é igualmente desanimadora: assumindo uma vida útil de cinco anos para os satélites, sustentar uma constelação de um milhão de unidades exigiria a substituição de 200 mil satélites por ano — mais de 44 vezes toda a capacidade de lançamento global de 2025, apenas para manter a constelação em estado estável”, justificou.

Competição
A empresa também entende que o projeto da SpaceX afeta diretamente os planos de expansão da Amazon Leo — a futura operadora de satélites de baixa órbita concorrente da Starlink, e que deve iniciar a oferta do serviço já neste ano.

“A Amazon Leo possui sérias preocupações quanto às consequências operacionais de ser obrigada a evitar colisões com um sistema de um milhão de satélites totalmente especulativo e que favorece o domínio do incumbente”, disse a companhia.

O grupo argumenta que uma constelação de um milhão de satélites inviabilizaria missões concorrentes, encareceria seguros, comprometeria a segurança de lançamentos e serviria apenas para consolidar o monopólio da rival no setor espacial.

Ao final do documento, a Amazon solicita que a FCC rejeite o pedido apresentado pela SpaceX. Caso o regulador americano considere continuar a análise, a empresa pede que seja exigida a apresentação de informações técnicas mais completas para permitir uma avaliação adequada dos impactos do projeto sobre segurança orbital, competição e acesso ao espaço.

Para a companhia, sem informações detalhadas sobre aspectos como radiofrequência, distribuição orbital e características dos satélites, “nem a FCC nem outros operadores podem avaliar o impacto deste sistema”.

 

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