Domingo, 5 de Abril de 2026

Na era da IA, Ericsson quer acelerar 5G standalone e liderar em 6G

Levando em conta os impactos da Inteligência Artificial (IA) sobre as redes de telecomunicações, a Ericsson quer acelerar, em parceria com operadoras, as implantações de 5G standalone (SA) e busca liderar a padronização da tecnologia 6G. A estratégia consta no Relatório Anual de 2025, divulgado pela fornecedora sueca na quarta-feira, 4.

No documento, o CEO da Ericsson, Börje Ekholm, compartilha a sua visão estratégica para o futuro da empresa. Segundo ele, a próxima fase da IA será marcada por uma ampla disseminação de dispositivos e aplicativos preparados para usufruir da tecnologia. Isso vai aumentar a demanda por computação de borda e conectividade móvel, sobretudo no que diz respeito a velocidades de uplink e baixa latência.

Nesse contexto, Ekholm ressalta que redes 5G non-standalone (NSA), 4G e Wi-Fi não conseguem oferecer o mais alto nível de confiabilidade, segurança e desempenho que a IA vai exigir das redes de telecom.

“A migração para o 5G standalone é um primeiro passo essencial, pois fornece a arquitetura nativa em nuvem necessária para habilitar totalmente a automação orientada por IA e o fatiamento de rede avançado”, destacou o executivo. Este tem sido um desafio especialmente para as teles europeias. No Brasil, as operadoras de 5G já inciaram sua transição para o SA.

“Conectividade garantida e diferenciada para diferentes casos de uso, baseada em 5G standalone – e, com o tempo, em 6G – será essencial para fornecer a capacidade de uplink, o desempenho de rede e a densidade de conexão necessários para esses casos de uso”, complementou.

De forma geral, o CEO frisou que a estratégia da fornecedora é “oferecer as melhores redes para IA”, com ênfase no suporte a “aplicativos e dispositivos que precisam de latência ultrabaixa, velocidades de uplink mais rápidas e recursos de computação de borda”.

Ekholm ainda sinalizou que as implantações de 6G podem começar antes de 2030 e que a empresa busca ter papel de destaque na definição dos padrões da próxima geração móvel.

Cenário do 5G standalone
No documento, a Ericsson aponta que, até 2025, cerca de 370 operadoras lançaram serviços comerciais de 5G, das quais 90 ativaram a rede standalone – a Ericsson tem participação em 55 delas. Segundo a empresa, para escalar a IA, é preciso ampliar as redes de 5G puro.

A empresa ainda afirma que, enquanto a Europa está atrasada, a China construiu uma rede 5G standalone “muito forte e densa”, o que permite implementar casos de uso avançados, como automação de fábricas, robótica e drones.

Regiões estratégicas
Como parte de sua estratégia, a fornecedora sueca diz que vai buscar a liderança em mercados-chave, citando Estados Unidos, Índia e Japão. O planejamento também inclui investimentos adicionais nos setores de segurança pública, segurança nacional e defesa ainda este ano.

“A tecnologia está no centro da geopolítica e a IA, juntamente com a conectividade em nuvem e móvel, faz parte de uma infraestrutura digital na qual as potências globais estão investindo fortemente”, asseverou Ekholm.

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