Sexta-feira, 6 de Março de 2026

MediaTek alerta para impacto da crise das memórias no preço do celular de entrada

Samir Vani, diretor de desenvolvimento de negócios da MediaTek para a América Latina, afirmou no MWC 2026 que a crise de memórias deve durar cerca de dois anos, e que a pressão adicional causada por aplicações de inteligência artificial tende a afetar principalmente o mercado de smartphones de entrada, mais sensível a preço e a disponibilidade de componentes na região.

“Até o fim de 2027 seguiremos com problemas de memórias”, disse o executivo, em coletiva de imprensa na terça, 3.

Ao ser perguntado sobre a crise de memórias e o impacto para o produto final, Samir Vani afirmou que “a crise de memórias é real”, mas que as previsões variam conforme o fornecedor. “A previsão que temos hoje, que eu acho a melhor, é que até finais de 2027 seguiremos com problemas de memórias em geral”.

Para justificar o prolongamento do cenário, o executivo disse que houve uma mudança estrutural no consumo de componentes causada pelo incremento de demanda e poder de compra das empresas que desenvolvem inteligência artificial generativa. “Isso muda por completo o cenário. Então, toda a supply chain hoje está afetada”. A seu ver, a resposta industrial tende a demorar, uma vez que montar uma fábrica de memória leve de 2 a 3 anos.

Pressão não é só de preço
Além do custo, Samir Vani destacou que a incerteza de disponibilidade pode inviabilizar linhas de produção: “Mais do que o preço hoje em dia, um dos grandes problemas é a marca de devices garantir abastecimento de memória independentemente do preço. E isso sim é fatal”.

O executivo também afirmou que a pressão se espalha para além de memórias: “Estamos falando de memória, mas também estamos falando de uma série de produtos do ecossistema. Porque todo mundo vai estar pressionado”.

Impacto maior no low-end: consumidor de US$ 100–150 “vai sofrer bastante”
Ao comparar faixas de preço, Samir Vani disse que a crise tende a ser mais facilmente absorvida no topo do mercado: “Se estamos falando de um telefone de super alta gama, a preços de US$ 1.500, qual é a diferença de pagar US$ 1.550?”. Já no segmento de entrada, apontou um risco direto para a América Latina: “se uma pessoa compra um telefone de 100 dólares, e o preço sobe para 150 dólares, claramente temos um problema grave. Esse mercado vai sofrer bastante nos próximos anos”, antevê.

Ele rejeitou a hipótese de reduzir memória do aparelho e compensar com processamento em nuvem. “Não acho que possamos ter um telefone com tão pouca memória que vai rodar todo o tempo na nuvem porque esse usuário [de aparelhos de entrada] não tem um plano de dados para isso”. O ajuste no perfil de consumo mais provável, diz, será redução do mercado de entrada, com aparelhos alocados em categorias “um pouco mais acima”.

Alternativa para quem produz chipset
Segundo ele, fabricantes de chipsets como a Mediatek não vão esperar que a crise se resolva. A solução, diz, será fazer com que a eletrônica dos dispositivos consiga funcionar que uma variedade maior de tipos de memória. “O que podemos fazer do nosso lado é trabalhar com os fornecedores e com as marcas para que [os chipsets] possam funcionar com uma gama de memórias, e assim haver mais flexibilidade”.

Como exemplo, o diretor da Mediatek explicou que saem os projetos que usam unicamente um tipo de memória, como DDR5, e surgem os modelos que suportem DDR5, DDR4, DDR3, a fim de dar margem para as marcas “flexibilizarem e garantirem a produção”.

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