Sexta-feira, 6 de Março de 2026

Empresas enfrentam desafios com novas exigências na NR1

Com a proximidade da entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passam a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o setor industrial intensifica discussões e iniciativas de preparação.

O tema foi tratado no Fórum de Assuntos Trabalhistas (FAT), encontro promovido pela ABIMAQ/ SINDIMAQ e pela ABINEE/ SINAEES, com o objetivo de esclarecer dúvidas e orientar as empresas sobre as mudanças previstas para maio de 2026 e contou com a participação de mais de 300 pessoas.

Ainda cercado de incertezas quanto à metodologia, à forma de avaliação e à atuação da fiscalização, o assunto tem gerado preocupação entre os empresários. “Ainda existem pontos pendentes em relação à metodologia e às orientações práticas. Há interpretações distintas entre as áreas jurídica, médica, psicológica e de segurança do trabalho. Isso naturalmente gera receio nas empresas”, afirmou a gerente do Departamento Jurídico da ABIMAQ/SINDIMAQ, Dra. Camilla Toledo. Segundo ela, embora haja discussões sobre eventual novo adiamento, o setor produtivo deve manter o foco na preparação, avançando no planejamento e na organização interna.

Convidado do evento, Luiz Antonio Chiummo, engenheiro de segurança da FIESP, apresentou um panorama técnico sobre os riscos psicossociais, definidos pela Organização Mundial da Saúde como condições que afetam o bem-estar mental e podem ser influenciadas por fatores como pressão por resultados, sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais e aspectos externos ao ambiente corporativo.

Segundo o especialista, trata-se de um tema subjetivo, que exige amadurecimento técnico e alinhamento de entendimentos entre empresas e órgãos fiscalizadores. Ele citou dados oficiais que apontam crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país de forma geral e não necessariamente ligados ao trabalho, ainda que a indústria apresente índices gerais inferiores a outros setores, a nova exigência demanda metodologias estruturadas e documentações consistentes das ações implementadas.

De acordo com ele, o SESI desenvolveu ferramentas que podem auxiliar as empresas, como a aplicação da Job Stress Scale (JSS), questionários específicos e grupos focais, com abordagens adaptadas ao porte e à cultura organizacional.

“As empresas têm liberdade para escolher a metodologia que melhor se adeque à sua realidade, desde que haja coerência técnica e reconhecimento científico”, explicou. Ele reforçou que a análise deve estar integrada ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), podendo envolver desde análise ergonômica preliminar até estudos mais aprofundados, quando necessário.

Pontos sensíveis
Questões como a inclusão de assédio moral e sexual no PGR também foram debatidas. Porém tanto para o jurídico das entidades, quanto para o engenheiro, trata-se de fato isolado que não deveria entrar no risco psicossocial, apesar de ser tema sensível, que exige tratamento estruturado por meio de códigos de conduta, canais de denúncia e treinamentos periódicos, conforme prevê a legislação vigente.

A orientação dos especialistas é que as organizações adotem postura preventiva, com registro formal das medidas implementadas, a fim de demonstrar diligência e boa-fé em eventual processo de fiscalização.

Preparação e acompanhamento
Entidades industriais, como a Confederação Nacional da Indústria, acompanham o tema e mantêm diálogo com o Ministério do Trabalho sobre possíveis ajustes ou prorrogações. Até o momento, entretanto, permanece válida a previsão de entrada em vigor em maio de 2026.

Enquanto o cenário regulatório não sofre alterações, a recomendação é que as empresas estabeleçam cronogramas internos, promovam capacitações, integrem as áreas de recursos humanos e segurança do trabalho e busquem apoio técnico especializado.

O evento está disponível na ACADEMIA ABIMAQ, caso tenha perdido ou queira rever. – https://abimaq.org.br/academia.

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