Sexta-feira, 6 de Março de 2026

Crise de memória pode durar até o fim de 2027 e impactará mais o low-end, projeta Mediatek

A falta de memórias para dispositivos eletrônicos provocada pela alta demanda por parte de data centers de inteligência artificial pode durar até o fim de 2027, projeta o diretor de desenvolvimento de negócios na América Latina da Mediatek, Samir Vani, em conversa com a imprensa latino-americana no MWC26, em Barcelona, nesta terça-feira, 3.

“A crise de memória ainda vai levar um tempo para ser solucionada. Mas, se você perguntar para 30 fornecedores diferentes sobre quando vai acabar, vai receber 30 respostas diferentes”, ressaltou.

Na sua visão, esse problema vai afetar de maneira diferente as variadas gamas de smartphones. “Para um modelo flagship, se o preço subir de US$ 1,5 mil para US$ 1,55 mil, não faz muita diferença. Mas no segmento de entrada, se o preço do smartphone passa de US$ 100 para US$ 150, o impacto é grave. O mercado low-end vai sofrer muito nos próximos anos”, avalia.

Do lado da Mediatek, a forma de ajudar a minimizar esse gargalo é desenvolvendo chipsets capazes de trabalhar com uma variedade maior de tipos de memórias, garantindo mais flexibilidade para o fabricante de smartphone na definição dos seus fornecedores, comentou.

5G Redcap

Vani entende que o melhor cenário para o lançamento do 5G Redcap é em mercados aonde há uma predominância do 5G e aonde redes legadas como 2G e 3G já foram desligadas.

“O Redcap vem sendo mais estudado e trabalhado em países aonde o 5G é predominante, e aonde há uma política bem exercida de desligar as versões anteriores da tecnologia móvel. É o caso Japão e de alguns países europeus que nem têm mais 3G. Quando a operadora faz esse movimento, tem uma eficiência gigantesca porque não precisa manter tantas redes ao mesmo tempo. Aí o Redcap ganha um valor especial, porque ocupa espaço que antes era do 2G e do 3G”, analisa.

IA no device

O diretor da Mediatek prevê que os smartphones cada vez mais que processar IA localmente, em vez de passar esse trabalho pra nuvem. Isso acontecerá tanto por questões de privacidade de dados quanto por conta da experiência do cliente, de forma a reduzir a latência para aplicações mais sensíveis, como tradução em tempo real e visão computacional.

Ele acredita também que a chegada dos agentes de IA dentro dos telefones vai acelerar ainda mais essa tendência, valorizando as NPUs.

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