Qualcomm e Huawei projetam 6G como rede “para a era da IA”
A Qualcomm e a Huawei apresentaram hoje, 3 de março6, no MWC 2026, visões convergentes de 6G como uma infraestrutura projetada para a expansão de aplicações de inteligência artificial, com ênfase em novos dispositivos, aumento de tráfego e mudanças na arquitetura de rede.
A “missão” do 6G, segundo a Qualcomm
No palco do MWC, o CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, afirmou que “a missão do 6G vai ser a tecnologia sem fio para a era da IA e para IA. Em todos os lugares”. Ele sustentou que a próxima geração precisa ser “propositalmente desenhada” para a transição do ecossistema atual — que descreveu como centrado no smartphone — para um modelo baseado em agentes: “o agente vira o centro”.
Amon também vinculou a necessidade de 6G ao crescimento do tráfego: “o tráfego global (…) está projetado para crescer de 3 a 7 vezes até 2034, e só a IA vai responder por cerca de 30% de todo o tráfego”.
Amon também afirmou que a popularização de agentes de IA devolve importância ao uso de voz nas redes móveis. Segundo ele, as novas experiências vão exigir voz de alta qualidade porque “vamos usar muita voz para interagir com agentes”, o que reforça a demanda por menor latência e conectividade mais consistente para sustentar interações em tempo real.
Ao tratar de conectividade, Amon disse que o 6G exigirá mais espectro e novas técnicas para lidar com propagação, entre insumos, será necessário acesso a “frequências mais altas”, e em termos técnicos, as antenas e devices deverão ser compatíveis com padrão “giga MIMO”. Ele destacou que o uplink também cresce em relevância para o usuário final: “é preciso uplink com uma quantidade massiva de dados indo para a nuvem”.
No resumo do que chamou de rede 6G, apontou “canais mais largos, velocidades máximas mais altas e capacidade total do sistema” para suportar “dispositivos de IA habilitados por 6G” e experiências centradas em agentes.
Rede vira plataforma de computação e adiciona “sensoriamento”
Amon descreveu também uma mudança estrutural: “redes 6G, para o setor de telecom, vão se tornar redes de data centers de IA”. Na visão apresentada, haveria computação “em cada etapa da rede de acesso rádio, na estação rádio-base” até a integração com “um grande data center”.
Ele também colocou o “sensoriamento” como uma capacidade adicional do 6G: “uma nova capacidade da rede, além da conectividade, é exatamente sentir o ambiente”, citando o uso de sinais de RF para “radar em escala” e exemplos como “detecção de drones”.
Amon disse que a Qualcomm reúne 58 parceiros em uma coalizão, disse que as demonstrações do 6G começam 2028, com o lançamento de produtos em 2029.
Huawei: demanda por uplink, latência e debate de espectro
Na sequência, Chaobin Yang, EVP e CEO do ICT Business Group da Huawei, também disse que os serviços de IA trazem novas demandas para as redes. Ele mencionou crescimento de uso de tokens: “nos últimos dois anos, os tokens diários globais aumentaram 300 vezes”.
Yang também afirmou que até o fim do ano passado, “quase 30 milhões de agentes de IA já estavam trabalhando em diferentes indústrias” e projetou: “agentes vão aumentar 10.000 vezes” no curto prazo. Ao tratar de requisitos para coordenação entre nuvem e robôs, citou latência: “essa coordenação entre nuvem e robô exige latência da rede abaixo de 60 milissegundos, com segurança e confiabilidade garantidas”.
Sobre padronização do 6G, afirmou que “já começou” e indicou uma referência temporal: “o primeiro padrão do 6G deveria ser antecipado, por volta de 2029”. Em espectro, defendeu flexibilidade e citou suporte “até 6 GHz”, além de mencionar discussões sobre a própria faixa de “6 GHz”.
