Sexta-feira, 6 de Março de 2026

Qualcomm: missão do 6G será habilitar IA em todos os lugares

CEO global da Qualcomm, Cristiano Amon detalhou nesta terça-feira, 3, a visão da empresa sobre as futuras redes 6G. Segundo o executivo brasileiro, a missão da nova geração de comunicação móvel será atuar como tecnologia que permita a inteligência artificial (IA) “everywhere”, em todos os lugares.

No segundo dia do Mobile World Congress (MWC) 2026, realizado em Barcelona (Espanha), a gigante dos semicondutores projetou que a IA será responsável por 30% do tráfego nas redes em 2034. O desafio, aponta Amon, é que essa conectividade precisará ser contínua para suportar sem riscos novos casos de uso mais sofisticados.

Para tal, serão necessárias algumas mudanças profundas na arquitetura de redes. Entre elas, o crescimento das velocidades de uplink como forma de suportar interações de humanos na direção da IA, naquilo classificado por Amon como “era do uplink”. “O IA fará a voz importante de novo, porque usaremos a voz para interagir com agentes”, exemplificou.

Outro grande passo será a capacidade computacional em todos os elos das redes – desde estações rádio base, passando por edge data centers e culminando na integração do 6G das teles com os grandes provedores de nuvem. Com a arquitetura, serviços avançados (como carros autônomos) poderão se tornar confiáveis.

Um uso ainda mais sofisticado vislumbrado por Amon é o emprego do 6G para o sensoriamento avançado do ambiente físico. A ideia é utilizar os sinais de radiofrequências para habilitar algo como radares em larga escala, o que poderia ocorrer na forma de uma mapa 3D de uma cidade ou país.

O recurso poderia auxiliar a gerenciar a economia aérea (por exemplo, no gerenciamento de drones), rodovias, carros e mesmo pedestres, afirma Amon. Para o CEO, a mudança será comparável àquela atravessada quando as redes deixaram de ser baseadas apenas em voz para também habilitarem banda larga.

Cronograma do 6G
A definição de padrões para o 6G já está sendo discutida, lembra Amon. A previsão do CEO da Qualcomm é que as primeiras demonstrações da tecnologia ocorram em 2028, sendo que no final daquele ano a infraestrutura de semicondutores e devices já deve estar disponível. A partir de 2029, a tecnologia poderia ser lançada.

A expectativa da Qualcomm com o padrão é grande. Amon brincou que via de regra as gerações móveis com números pares são mais bem-sucedidas que as de número ímpar. Seria o caso do 2G (que possibilitou uma explosão de dispositivos) diante do 3G e do 4G (que permitiu a revolução dos smartphones), na comparação com o 5G.

 

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