Eleições e pressão fizeram governo Lula desistir de taxar smartphones e notebooks
O que era para ser um reforço de R$ 14 bilhões nos cofres públicos tornou-se um pesadelo político para o Palácio do Planalto. Em menos de um mês, o governo Lula foi do anúncio agressivo de aumento no Imposto de Importação ao recuo estratégico.
A decisão de revogar a alta nas alíquotas de smartphones e notebooks, confirmada na última quinta-feira (27), sinaliza que o temor da inflação e o desgaste digital falaram mais alto do que a necessidade de arrecadação.
O plano que não saiu do papel
A ideia original, sacramentada pela Resolução Gecex (Comitê-Executivo de Gestão) nº 852 no final de janeiro, era elevar a taxação de mais de 1.200 produtos. Itens essenciais como celulares e computadores veriam suas alíquotas saltarem de 16% para 20%.
O argumento da Fazenda, ecoado pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), era a proteção da cadeia nacional.
Na prática, porém, o mercado enxergou apenas o repasse imediato ao consumidor. Com a nova regra em vigor desde 6 de fevereiro, o impacto estimado era de, no mínimo, R$ 160 a mais em aparelhos de entrada, o que inflamou a oposição no Congresso e gerou uma onda de críticas virais que o governo não conseguiu estancar.
A “Meia-Volta” da Camex
A pressão surtiu efeito em tempo recorde. Após uma corrida de empresas por pedidos de isenção (ex-tarifários), a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou uma revogação parcial das medidas.
O resultado do recuo é um alívio temporário: 15 itens considerados sensíveis voltam às taxas originais — com smartphones retornando aos 16% — e outros 105 produtos terão tarifa zero por 120 dias.
Embora o ministro Fernando Haddad tenha dado o sinal verde para a revisão, o movimento é lido nos bastidores de Brasília como uma vitória clara da mobilização do setor privado e da opinião pública.
Cronologia da Crise
A crise durou exatos 30 dias. Entre a aprovação da Resolução 852 no fim de janeiro e o recuo oficial em 27 de fevereiro, o governo enfrentou o que parlamentares chamaram de “explosão de desaprovação”.
Com as eleições no horizonte e a inflação de eletrônicos batendo à porta, o Planalto optou por sacrificar a arrecadação imediata para evitar um dano maior à sua popularidade.
