Terça-feira, 3 de Março de 2026

Starlink detalha Direct-to-Cell no palco do MWC 2026

A conectividade direta via satélite para celulares ganhou espaço central na Keynote 2 “Transforming Tomorrow’s Connected World”, realizada nesta segunda-feira, dia 02, no MWC 2026, em Barcelona. Executivos da Starlink apresentaram atualizações sobre o serviço Direct-to-Cell, atualmente chamado de Starlink Mobile, e detalharam os próximos passos da constelação de satélites voltada à comunicação com smartphones convencionais.

Participaram da sessão Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, e Michael Nicolls, vice-presidente de engenharia da Starlink. Durante o keynote, os executivos abordaram o estágio atual da constelação de satélites com capacidade de comunicação direta com smartphones convencionais.

Foi detalhado que a primeira geração do serviço direto para celulares começou a operar em 2024, com foco inicial em mensagens de texto, conectando dispositivos em diferentes regiões. O sistema utiliza satélites de órbita baixa equipados com carga útil específica para se comunicar diretamente com aparelhos móveis sem necessidade de antenas externas ou modificações de hardware. A proposta é permitir que telefones comuns acessem mensagens e serviços básicos mesmo em áreas sem cobertura terrestre.

Nicolls afirmou que hoje, a Starlink Mobile já seria a maior provedora 4G do mundo em termos de cobertura geográfica. O serviço via satélite para celulares é usado por 35 operadoras em cinco continentes. O Brasil não foi citado no painel.

Segunda geração amplia capacidade para voz e dados
Na apresentação no MWC, a empresa detalhou o desenvolvimento da segunda geração de satélites, chamada V2. Essa nova etapa prevê expansão da capacidade da rede para suportar não apenas SMS, mas também transmissão de dados, chamadas de voz e, futuramente, vídeo.

Os satélites V2 devem operar com maior potência e maior capacidade de throughput em comparação à geração inicial, reforçando que o modelo da Starlink é híbrido. “A taxa de transmissão total do satélite ultrapassará 100 gigabits por segundo em download e 50 gigabits por segundo em upload”, projetou Nicolls.

A meta é oferecer experiência de conectividade complementar à das redes móveis tradicionais, especialmente em áreas sem cobertura terrestre, ampliando cobertura em áreas remotas ou com baixa densidade de torres e reforçando a integração entre redes terrestres e sistemas não terrestres.

A discussão também incluiu o papel das redes não terrestres no ecossistema 5G e nas pesquisas associadas ao 6G. A convergência entre satélites de órbita baixa e redes móveis foi apresentada como um dos caminhos para ampliar cobertura global, apoiar aplicações críticas e garantir conectividade contínua.

“Com a segunda geração de satélites, teremos 20 vezes o desempenho de link quando comparado à primeira geração. Conseguiremos isso com uma antena de grande porte, cinco vezes maior que a do nosso satélite de primeira geração, e com quatro vezes mais largura de banda por feixe”, explicou Nicolls.

A expectativa é que, com a continuidade do congresso em Barcelona, sejam divulgados mais detalhes técnicos sobre cronogramas de lançamento dos satélites V2, capacidade de rede e acordos com operadoras interessados na integração do serviço direto para celulares.

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