Terça-feira, 3 de Março de 2026

Conectividade móvel vai acrescentar US$ 11,3 trilhões ao PIB global até 2030

A GSMA projetou, no relatório The Mobile Economy 2026 lançado hoje, primeiro dia do MWC Barcelona 2026, que a contribuição das tecnologias e serviços móveis para o PIB global deve alcançar US$ 11,3 trilhões em 2030 (8,4% do PIB), ante US$ 7,6 trilhões em 2025 (6,4%).

O documento aponta que a indústria móvel “vai além da conectividade” ao combinar evolução de redes (como arquiteturas 5G standalone) com integração acelerada de inteligência artificial e outros recursos digitais. Em 2025, o ecossistema móvel sustentou 8,8 bilhões de conexões sem fio e 5,8 bilhões de assinantes únicos, cerca de 70% da população global, segundo o relatório.

Na dimensão macroeconômica e fiscal, o texto estima que o ecossistema apoiou 50 milhões de empregos em 2025 (31 milhões diretos e 19 milhões indiretos) e que a contribuição fiscal do setor chegou a US$ 810 bilhões no mesmo ano.

IA: de eficiência a novas receitas
A GSMA Intelligence registra que operadoras vêm reposicionando a IA de ferramenta de eficiência para vetor de crescimento, com 45% identificando “novas fontes de receita habilitadas por IA” como prioridade estratégica. O relatório também descreve que, em 2025, atendimento ao cliente concentrou quase metade das implantações de IA (47%), enquanto operações de rede ficaram “logo abaixo de 20%”.

Ao tratar de modelos emergentes, o estudo lista frentes como conectividade otimizada para cargas de IA (incluindo fatiamento de rede e processamento na borda), oferta de capacidade de computação/GPU sob demanda e parcerias para soluções completas.

Segurança: arquitetura em camadas e risco ampliado por IA generativa
No capítulo de segurança, o relatório afirma que “mais de 90%” das operadoras classificam o nível de ameaça como alto ou muito alto e descreve avanço de práticas defensivas: mais de 90% reportam uso de arquitetura de “defesa em múltiplas camadas” e mais de 80% dizem ter planos formais de resposta a incidentes. Ao mesmo tempo, o texto ressalta que “a IA é uma faca de dois gumes”, ao fortalecer defesas e também ampliar capacidades ofensivas, exigindo governança e monitoramento contínuos.

eSIM ganha escala e chega a 42% das tecnologias de SIM em 2030
A GSMA Intelligence projeta que conexões de smartphones com eSIM cheguem a 2,5 bilhões em 2028 e que o eSIM responda por 42% de todas as tecnologias de SIM em 2030, com avanço também de iSIM em IoT. O relatório associa a tendência à digitalização da ativação e do cadastro do cliente, maior flexibilidade para múltiplos perfis e expansão para dispositivos vestíveis e dispositivos conectados.

Inclusão digital: cobertura cresce, mas “lacuna de uso” segue
Segundo o documento, 58% da população global (4,7 bilhões de pessoas) acessa a internet via dispositivo móvel próprio, e cerca de 200 milhões passaram a usar a internet móvel pela primeira vez em 2024. Ainda assim, “mais de 3 bilhões” permanecem desconectados, apesar de 96% da população viver em áreas cobertas por banda larga móvel; além disso, 9% da população mundial (710 milhões) usou internet móvel em 2024 sem ter um aparelho próprio ou de uso primário.

Espectro: 6 GHz como “casa” das faixas intermediárias e WRC-27 no horizonte
No debate regulatório, o relatório defende que o planejamento para 6G comece agora, com canais de 200–400 MHz e necessidade média de 2–3 GHz de espectro em faixas intermediárias no período 2035–2040 (chegando a 2,5–4 GHz em mercados mais demandados). O texto afirma que o 6 GHz ganhou tração como faixa harmonizada para capacidade em bandas intermediárias e cita que a base de apoio da faixa se desenvolve em mercados como Índia, China, Brasil e México, apontando que “mais de 80% da população global” vive em país que apoia 6 GHz móvel.

O documento também traz uma diretriz sobre desenho de políticas: “reservar espectro para usos específicos não incentiva redes privativas; ao contrário, reduz a quantidade de espectro disponível para levar conectividade industrial por meio de operadoras móveis”, além de recomendar que governos evitem usar espectro como instrumento de maximização de arrecadação.

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