Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Blue Marine Telecom vê demanda crescente por novos cabos submarinos

Empresa especializada na implantação e manutenção de sistemas ópticos submarinos ou subfluviais, a Blue Marine Telecom enxerga um mercado aquecido para projetos do gênero, impulsionado pela demanda de empresas de telecom, de óleo e gás e de energia eólica.

No momento, a empresa está envolvida em dois importantes projetos de malhas ópticas para conexão de plataformas da Petrobras. Em conversa com TELETIME, o diretor da Blue Marine Telecom, Rodrigo Magarotto, deu atualizações sobre os projetos (nas bacias de Santos e Campos; veja mais detalhes no decorrer da matéria) e pintou cenário positivo de demanda por novos sistemas.

“Em matéria de mercado, há várias coisas acontecendo”, afirmou o executivo. “Os sistemas ópticos submarinos estão em uma crescente e há muitos projetos, com cinco grandes players no mundo para fazer esses projetos. Nós estamos nos enfiando nesse meio com esses dois projetos [da Petrobras], que nos habilitam a ser player importante. Outros projetos têm surgido na América do Sul e África, que acabam sendo oportunidades”.

A demanda não estaria restrita ao mercado de operadoras. “As eólicas offshore vão acontecer em algum momento, e no Brasil há projetos em diversas fases diferentes, alguns em fase de licenciamento. Eles vão necessitar de conexões por terra com cabos ópticos e elétricos, e esse é um segmento que a gente tem interesse”, afirmou Magarotto.

Outra alternativa promissora seria a própria indústria de óleo e gás, ao lado de players privados do segmento. “Existem projetos surgindo com as privadas e estamos bem posicionados”, indicou o CEO da Blue Marine Telecom, mencionado a experiência nos dois projetos para a cadeia petrolífera ao lado da Petrobras.

No mais avançado deles – a malha óptica da Bacia de Santos -, a empresa está iniciando a fase final de implantação do sistema. O tronco principal de 850 km já foi instalado entre Praia Grande (SP) e a Praia da Macumba, no Rio de Janeiro. Neste segundo semestre ocorrerá a conexão da malha com 13 plataformas offshore de petróleo da Petrobras.

Considerando estes ramais, o sistema deve somar 1.028 km de extensão, além de 96 canais e capacidade de transmissão prevista de 200 GB por canal. A fase de interligação das 13 plataformas deve terminar no final de 2024, com perspectiva de entrada em operação da malha em 2025.

Já na malha da Bacia de Campos, o projeto é interligar Quissamã (RJ) até Anchieta (ES) e propiciar ramais para conexão de 12 plataformas offshore da estatal brasileira. As obras ainda serão iniciadas, ao passo que a Blue Marine tem realizado as últimas pesquisas para levantamento de possíveis interferências na rota.

Aqui, o cabo principal de 450 km teve fabricação concluída na China (pela empresa HMN) e a previsão é começar a instalação em agosto. Com os ramais, o sistema chegará a 631 km de extensão, além de contar com 96 canais com capacidade de transmissão de 100 GB por canal. Ele pode estar operacional no final de 2025.

Manutenção
Subsidiária da holding de serviços marítimos ZMax Blue Ship Group, a Blue Marine Telecom tem atuado no setor de telecomunicações desde 2019.

Além da implementação de cabos submarinos, a empresa também tem trajetória na manutenção de sistemas do gênero. A prestação deste serviço no cabo Brazilian Festoom, da Claro, foi o primeiro contrato na área conquistado pela empresa.

Neste sentido, outra oportunidade vislumbrada é a manutenção de outros sistemas que estão surgindo no Brasil – como a rede subfluvial do Norte Conectado, construída pelo governo na região amazônica. “Temos conversado com as operadoras que vão assumir a rede”, indicou Magarotto.

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