Huawei propõe políticas públicas para disseminação do Wi-Fi 7
Em estudo sobre a indústria de conexão sem fio, a Huawei defende a adoção de políticas públicas para acelerar a migração para o Wi-Fi 7 no Brasil, especialmente a partir de 2027. A fornecedora propõe a formulação de “subsídios digitais” para promover uma “eliminação gradual de tecnologias desatualizadas”.
As recomendações constam em white paper elaborado pela fornecedora, pela Softex e divulgado nesta segunda-feira, 2, em meio ao Mobile World Congress (MWC) 2026, realizado em Barcelona (Espanha).
Conforme o relatório, políticas públicas podem incentivar famílias, pequenas e médias empresas (PMEs) e provedores de serviços de Internet (ISPs) a substituir gradualmente os dispositivos Wi-Fi 5 e 6 implantados até o ano passado.
Em troca, os segmentos poderiam adotar o Wi-Fi 7, cuja taxa teórica é de 46 Gbps, quase cinco vezes superior à do Wi-Fi 6 (9,6 Gbps), o que pode contribuir para suportar demandas mais exigentes de conectividade.
A Huawei também propõe a implantação do Wi-Fi 7 em ambientes de grande afluxo de pessoas (aeroportos, campi inteligentes, arenas esportivas e hospitais públicos) e pilotos de Wi-Fi 8 para Internet das Coisas (IoT) na indústria.
O white paper ainda sugere o uso de pontos de acesso de Wi-Fi 7 em escolas de áreas remotas, a aceleração em projetos de infraestrutura (como o Norte Conectado e o Wi-Fi Brasil) e a criação de programas de apoio e financiamento a faculdades e empresas para desenvolvimento conjunto de tecnologias de Wi-Fi 8.
Adicionalmente, para a Huawei, o Brasil deve investir em laboratórios de certificação e verificação de desempenho de dispositivos de rede sem fio, como forma de reduzir o tempo de obtenção de certificados para novos aparelhos e atrair investimentos internacionais.
A empresa ainda propõe incentivos para cooperação entre empresas de serviços de satélite, entidades públicas e provedores para conectividade via satélites não geoestacionários, no sentido de fornecer conexões de backup de alta velocidade para áreas remotas.
Padrões técnicos
No relatório, a fornecedora reforça a necessidade de padrões técnicos unificados para que operadoras e provedores de banda larga suportem o Wi-Fi 7 em novas implantações, citando, como medida a ser adotada, a simplificação do procedimento de certificação de dispositivos por meio do reconhecimento de testes realizados por laboratórios estrangeiros.
Além disso, a empresa afirma que o Brasil deveria integrar o grupo de trabalho do IEEE 802.11 para promover a adesão aos padrões Wi-Fi 7 e 8, incluindo requisitos de dissipação de calor de dispositivos em climas tropicais e suporte a vários idiomas.
A Huawei também defende a comprovação do cumprimento de velocidade contratada na banda larga fixa, como previsto no Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações (RQUAL), da Anatel. Para a fornecedora, a tecnologia Wi-Fi 7 tem totais condições de assegurar as taxas de transmissão estabelecidas em contrato.
Convivência com serviço móvel
No estudo, a fornecedora voltou a defender a divisão do espectro de 6 GHz entre Wi-Fi e telefonia móvel. Para muitos provedores regionais a integralidade da faixa é necessária no futuro dos serviços Wi-Fi, visão que a empresa não compartilha.
“A alocação do espectro de 6 GHz, destinando a banda de 5.925 MHz a 6.425 MHz para o Wi-Fi 7, permite o aproveitamento de todas as características diferenciadoras da nova tecnologia, ao mesmo tempo que beneficia a complementariedade da conectividade através das redes móveis que farão uso da banda acima de 6.425 MHz”, pontua a Huawei.
Soberania digital
O white paper ainda afirma, com base em dados da Wi-Fi Alliance, que a indústria global de Wi-Fi ultrapassou a marca de US$ 5 trilhões em 2025.
Desse total, o Brasil representou uma movimentação de US$ 124 bilhões, levando em conta o uso da conectividade, fabricação de equipamentos e desenvolvimento de aplicativos.
Na avaliação da Huawei, a migração para o WI-Fi 7 não se trata apenas de um salto tecnológico, mas de um passo “em direção à soberania digital e aos objetivos de equidade social e do crescimento econômico” do Brasil.
“Por meio de atualizações de políticas, avanços tecnológicos e colaboração internacional, espera-se que o Brasil garanta que 95% da população tenha acesso a conexões com taxas da ordem de Gbit/s até 2030, estabelecendo uma referência para inclusão e desenvolvimento digital global”, ressalta a fornecedora chinesa.
