Ascenty diz que atraso de 15 dias no Senado para votar ReData pode travar investimentos em data centers
Marcos Siqueira, da Ascenty, afirmou ao Tele.Síntese, nesta sexta-feira, 27, que a não votação do ReData pelo Senado nos próximos 15 dias, contados a partir desta data, pode comprometer projetos em negociação que, segundo ele, totalizam US$ 6 bilhões com potencial de se materializar nos próximos três meses.
Prazo, mobilização em Brasília e atuação via associações
Questionado sobre a capacidade de o Senado pautar e votar o tema no prazo, Siqueira respondeu que “existe a possibilidade”.
Na avaliação do executivo, a mobilização do setor ocorre por meio de entidades e presença contínua em Brasília. “A gente tem trabalhado muito forte usando a própria ABDC, a Associação Brasileira de Data Centers, a Brascom, a Telcomp”, disse, ao listar as associações usadas como “três verticais” para diálogo e articulação. Ele também afirmou: “nós tínhamos pessoas no decorrer de todos esses dias da semana, na votação do Congresso tínhamos representantes, no Senado… nós tínhamos pessoas ali”.
“Janela” de decisão e números colocados na mesa
A principal ênfase de Siqueira foi a ideia de que atrasos na votação podem afetar decisões de investimento de grandes empresas de tecnologia. “Se eu demoro seis meses, eu não sei quantos contratos e quantos projetos as grandes big techs tomarão de decisão”, afirmou, acrescentando que, “uma vez a decisão tomada para um outro país, é difícil você reverter”.
No recorte econômico, ele citou a escala potencial do ciclo de investimentos: “o Brasil tem a oportunidade de trazer nos próximos anos alguns gigawatts de energia em data center (…), um Redata traz para o Brasil a possibilidade de algumas centenas de bilhões de dólares aportando no país ao longo dos próximos anos”.
Ao tratar de projetos com negociação avançada, Siqueira declarou: “pelo menos 3 bilhões de dólares vão chegar no Brasil nos próximos 30 a 90 dias”, ressaltando que se trataria de um primeiro conjunto: “eu só estou falando deste projeto, eu não estou falando de todos os outros projetos que serão a consequência desses aqui”. Na sequência, ao projetar o volume agregado ligado a contratos em fechamento, ele disse: “Através desses contratos fechados, agora o Brasil traz 6 bilhões de investimentos”.
Arrecadação, operação e cronograma de implantação
Siqueira conectou o volume de capex à arrecadação recorrente quando os ativos entram em operação: “imagina a arrecadação mês a mês quando tudo isso está operacional, a geração de emprego quando tudo isso estiver operacional”. Ele também descreveu o ciclo de implantação de um grande projeto: “Eu assino um contrato hoje, para construir um data center grande, eu vou levar de 12 a 18 meses”, e completou: “Depois disso, vem o meu cliente… E logo depois disso, começa o processo de arrecadação.”
Competitividade tributária, “soberania de dados” e posição do Brasil
Para Siqueira, o ReData deve ser entendido como pauta “não partidária”. “É uma iniciativa não partidária, é uma iniciativa não governamental do ponto de vista de situação ou oposição”, disse, defendendo que se trata de “uma iniciativa de posicionamento da nação perante o mundo para uma corrida de inteligência artificial”.
Nesse argumento, ele afirmou que “hoje, 60% do cloud que o Brasil consome, eles estão hospedados fora do Brasil” e associou a atração de infraestrutura local à competitividade tributária: “Para que você tenha mais soluções de cloud no território nacional, você precisa ser mais competitivo tributariamente.” Siqueira também citou energia e ambiente como vantagens: “do ponto de vista de energia, o Brasil é ultra competitivo. Do ponto de vista ambiental, o Brasil é muito competitivo”, e acrescentou: “data centers no Brasil não consomem água”.
