Terça-feira, 3 de Março de 2026

IDC prevê queda recorde do mercado mundial de smartphones em 2026

A IDC projetou que os embarques globais de smartphones vão cair 12,9% em 2026, para 1,12 bilhão de unidades, em um cenário associado à alta no custo de componentes de memória e à pressão sobre os preços dos aparelhos.

A consultoria afirmou que a retração levaria o setor ao menor volume anual de embarques em “mais de uma década” e destaca que o movimento atingiria com mais força fabricantes voltados ao segmento de entrada.

 

IDC chart smartphones

 

Impacto sobre fabricantes de baixo custo
A alta do custo de componentes deve atingir com mais intensidade empresas com exposição maior ao baixo preço. Francisco Jeronimo, vice-presidente para Worldwide Client Devices da IDC, afirmou que “o que estamos vendo não é um aperto temporário” e descreveu o choque como originado na cadeia de suprimentos de memória.

A IDC também indica que, nesse ambiente, empresas com maior capacidade financeira e posicionamento premium tenderiam a atravessar melhor o ciclo. O texto cita Apple e Samsung como companhias “melhor posicionadas” em comparação com concorrentes menores, que poderiam perder espaço ou sair do mercado.

Preço médio recorde e mudança no mix de produtos
Além da queda em volume, a IDC enxerga um aumento no preço médio de venda. A consultoria estima que o ASP (preço médio) suba 14% em 2026, para US$ 523 (cerca de R$ 2.820 em conversão direta), em um movimento associado à elevação de custos e à tentativa de preservar margens com uma ênfase maior em modelos de maior valor.

Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa do Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker, afirmou: “a crise de memória marca uma redefinição estrutural de todo o mercado”, ao descrever a mudança de patamar esperada para o setor.

A IDC também afirma que, mesmo com estabilização de preços de memória “até meados de 2027”, o segmento abaixo de US$ 100 pode se tornar “permanentemente inviável”, citando 171 milhões de aparelhos nessa faixa.

Trajetória para 2027 e 2028
Para os anos seguintes, a consultoria projeta recuperação gradual: 2% em 2027 e 5,2% em 2028.

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