Vivo descarta entrar na V.tal, mantém projeções de venda do cobre e aguarda definição da reforma tributária
A Vivo não tem interesse em assumir participação minoritária na V.tal e tampouco em integrar empresas de infraestrutura com atuação no varejo. A sinalização foi dada pelo CEO Christian Gebara durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã, 23, após a divulgação dos resultados de 2025.
Segundo o executivo, a decisão está alinhada à estratégia adotada recentemente com a Fibrasil, cujo controle foi integralmente adquirido pela operadora. “Não vejo sentido algum a gente ser minoritário numa outra empresa de infraestrutura”, afirmou, acrescentando que o modelo de fibra neutra no Brasil enfrentou dificuldades para atrair múltiplos clientes âncora.
Gebara destacou que, ao assumir o controle total da Fibrasil, a companhia buscou maior eficiência na penetração da rede. Ele também observou que a fragmentação do mercado brasileiro de fibra pode indicar necessidade de consolidação para garantir sustentabilidade econômica.
Monetização da concessão: R$ 4,5 bilhões até 2028
No campo regulatório, o CEO disse que o plano de monetização dos ativos associados à migração do regime de concessão para autorização permanece inalterado. A companhia mantém a estimativa de maio de 2025, de que a venda de cobre e imóveis deve gerar R$ 4,5 bilhões (R$ 3 bilhões com a venda de cobre e R$ 1,5 bilhão com imóveis).
A Vivo estima possuir 120 mil toneladas de cobre passíveis de extração, embora o volume efetivo possa variar em função de fatores como degradação e furtos. A venda será realizada ao longo de 2026, 2027 e 2028, com expectativa de ritmo mais constante a partir do segundo semestre de 2026. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou R$ 95 milhões com venda de cobre.
A monetização imobiliária também deve ocorrer majoritariamente até 2028, condicionada à desativação de centrais e migração de clientes para novas tecnologias. Parte das transações é conduzida com apoio de empresas especializadas, incluindo processos competitivos.
Paralelamente, a Vivo seguirá obrigada a manter a prestação de serviço em 373 localidades onde atua como única operadora até o final de 2028.
Reforma tributária: expectativa de neutralidade
Questionado sobre os impactos da reforma tributária, Gebara afirmou que a companhia já iniciou adaptações operacionais ao novo modelo, mas aguarda definição da alíquota final. “Não sabemos ainda quanto vai ser a alíquota”, disse. A empresa busca neutralidade tributária, evitando aumento de carga sobre o setor.
O executivo destacou que o serviço de telecomunicações foi classificado como essencial, o que garante benefício de cashback integral no CBS e 20% no IBS para famílias enquadradas nos critérios da reforma.
Segundo ele, apesar das incertezas sobre a alíquota, a mudança pode gerar sinergias operacionais no longo prazo, com simplificação na apuração e cobrança de tributos.
