Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

China lidera mercado de nuvem soberana e amplia distância dos EUA

A China deverá gastar US$ 47,3 bilhões com infraestrutura como serviço (IaaS) de nuvem soberana em 2026, valor mais que o dobro do previsto para a América do Norte, estimado em US$ 16,3 bilhões no mesmo período, segundo projeção recém-divulgada pelo Gartner.

O volume chinês representa aproximadamente 59% do total global projetado para 2026, que deverá alcançar US$ 80,4 bilhões, alta de 35,6% em relação aos US$ 59,3 bilhões estimados para 2025. Para 2027, o mercado mundial deverá atingir US$ 110,6 bilhões.

De acordo com a consultoria, o avanço ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à intensificação de políticas de soberania digital.

“À medida que as tensões geopolíticas aumentam, organizações fora dos Estados Unidos e da China estão investindo mais em IaaS de Nuvem soberana para obter independência digital e tecnológica”, afirma Rene Buest, Diretor Analista Sênior do Gartner. “O objetivo é manter a produção de riqueza dentro de suas próprias fronteiras para fortalecer a economia local.”

Segundo Buest, “os governos continuarão sendo os principais compradores para atender às necessidades de soberania digital, seguidos por setores regulamentados e organizações de infraestrutura crítica, como energia, utilities e telecomunicações”.

Crescimento regional
Apesar da liderança em volume, o crescimento percentual mais elevado em 2026 deverá ocorrer no Oriente Médio e Norte da África (89%), na Ásia/Pacífico desenvolvida (87%) e na Europa (83%).

A Europa deverá atingir US$ 12,5 bilhões em 2026 e US$ 23,1 bilhões em 2027, quando poderá ultrapassar a América do Norte, cuja projeção para 2027 é de US$ 21,1 bilhões.

Na América Latina, os gastos devem evoluir de US$ 278 milhões em 2025 para US$ 506 milhões em 2026 e US$ 946 milhões em 2027.

Transferência de cargas para provedores locais
O Gartner estima que 20% das cargas de trabalho atualmente hospedadas em provedores globais de nuvem serão transferidas para fornecedores locais em função de projetos de nuvem soberana.

Além disso, 80% dos gastos com IaaS soberana deverão vir de novas soluções digitais ou de cargas legadas que aguardam migração.

“Para competir pelo negócio de Nuvem dos clientes locais, os grandes fornecedores de Nuvem devem reconhecer seriamente as preocupações e os requisitos de soberania de cada país e agir de acordo. Não basta tratar a soberania digital apenas como uma questão de segurança, regulamentação e conformidade”, diz Buest. (Com assessoria de imprensa)

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