Terranova terá megaestruturas e estuda expansão de data centers no Brasil
A Terranova, novo empreendimento do fundo Actis no segmento de data centers, planeja inaugurar no ano que vem uma megaestrutura em Campinas, no interior de São Paulo, e já estuda outras localidades para expansão no País. Uma das apostas é o município de Praia Grande, no litoral paulista. É o que apontou o CEO da Terranova, José Eduardo Quintella, em entrevista ao TELETIME.
O primeiro data center da empresa no Brasil será construído em um terreno de 1 milhão de metros quadrados, próximo à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A empresa obteve, em dezembro do ano passado, a confirmação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para ter acesso a 300 megawatts (MW) de energia no local.
Desse modo, a expectativa é de que o site nasça com capacidade operacional entre 220 MW e 230 MW. A empresa, contudo, prevê mais do que dobrar a capacidade do futuro data center. “Esta é a primeira fase do projeto. Ele terá outras fases para atingir uma capacidade de mais de 500 MW de TI”, afirmou Quintella.
O executivo destacou que a empresa escolheu Campinas como localidade de estreia no Brasil por ser “uma região com muita conectividade”, onde “grande parte dos hyperscalers estão, assim como os nossos competidores”. O diferencial do complexo será a oferta de operações de nuvem e Inteligência Artificial (IA).
Praia Grande
Ao TELETIME, o executivo revelou que a Terranova já avalia expandir os negócios no País. O projeto mais avançado envolve a construção de uma megaestrutura em Praia Grande.
A empresa já tem um contrato de domínio sobre a terra para um terreno de 1 milhão de metros quadrados, localizado próximo ao ponto de ancoragem de cabos submarinos da cidade. O acordo para aquisição da área será fechado caso o ONS aprove o pedido de 450 MW de energia.
“A nossa expectativa é ter até o início de maio uma devolutiva do ONS para ter acesso a essa capacidade”, apontou Quintella.
“Se a gente conseguir, em uma conta grosseira, podemos ter em torno de 350 MW de capacidade de TI. Isso em uma primeira fase, porque lá também é um terreno de 1 milhão de metros quadrados”, complementou, indicando eventuais expansões do site em planejamento.
Redata pode facilitar expansão no Brasil
Na avaliação de Quintella, o Brasil pode se destacar no mercado de data centers por contar com energia disponível, confiável e renovável. Inclusive, segundo ele, mercados mais maduros já enfrentam restrições na oferta de energia, o que força as empresas a buscar outras localidades.
O que pesa contra o País é o volume de tributação, o que pode ser parcialmente resolvido pelo Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que tramita em regime de urgência no Congresso Nacional.
“Estamos alocando capital para desenvolver esses dois terrenos [Campinas e Praia Grande], mas o próprio Redata cria benefícios adicionais. Na nossa estratégia, teremos pelo menos mais duas localidades no Brasil”, sinalizou.
Planos na América Latina
A Terranova foi anunciada como uma nova empreitada da Actis no setor de data centers em dezembro do ano passado, com foco em clientes hyperscalers (grandes operadores de nuvem e sistemas de IA). A gestora também controla a NextStream, que atua no segmento de colocation.
O fundo pretende aportar, inicialmente, US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,8 bilhões) em três países: Brasil, México e Chile.
Inclusive, no fim de janeiro, a Terranova inaugurou o seu primeiro data center. O campus em São Miguel de Allende, na região de Querétaro, no México, entrou em operação com 2,12 MW de capacidade de TI.
O site será ampliado para 8,12 MW até o fim deste ano e, conforme a demanda por processamento de dados, poderá receber mais 20 MW de capacidade em futuras expansões.
Os planos na América Latina incluem um data center de 48 MW em Querétaro e uma unidade no Chile, provavelmente na região metropolitana de Santiago, onde o projeto ainda se encontra em estágio inicial.
“Tratamos esses três países como mercados prioritários, mas já estamos fazendo esforços em outras localidades. Temos monitorado outros países caso precisemos deslocar investimentos”, disse Quintella.
