Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Relatório da Ookla aponta lacunas de maturidade do 5G no mundo

A Ookla, empresa de inteligência de conectividade, mostrou em seu relatório anual de 5G que a rede avançou em muitas regiões no ano passado, mas sofre com uma espécie de lacuna de capacidade. Segundo ela, no ano passado, a velocidade média de download de uma rede 5G standalone (SA, na sigla em inglês) foi de 269,51 Mbps, enquanto a non-standalone (NSA) foi de 177,37 Mbps.

O número, no entanto, mascara a realidade. A Ookla entende que há uma variação considerável entre regiões, um indicativo de que o mercado SA está em diferentes estágios de maturidade. O problema é um empecilho para muitos países, pois a dificuldade para implantar e rentabilizar o 5G standalone (SA, na sigla em inglês) acaba sendo um impeditivo para avanços na arquitetura de nuvem.

Dados do levantamento mostram que a latência global do 5G standalone diminuiu para 42 ms, só que para jogos e nuvens o desempenho continua sendo problemático e até maior do que o registrado na non-standalone. Em termos de voz nativa a tecnologia da rede 5G (VoNR) ainda não é tão superior à do 4G (VoLTE). Em média, o tempo de estabelecimento da VoNR é de 1,96 segundo, enquanto a VoLTE é de 1,87 segundo.

De acordo com a Ookla, esse resultado reflete uma lacuna de maturidade, e não uma limitação arquitetônica inerente. O VoLTE se beneficiou de uma década de ajustes globais em sinalização SIP otimizada, portadoras QoS dedicadas e handovers robustos de Continuidade de Chamada de Voz por Rádio Único (SRVCC).

Diferenças regionais
O levantamento considera que o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) tem a melhor qualidade de conexão. Atualmente, a região é líder mundial quando se trata de desempenho do 5G SA, com uma velocidade média de 1,13 Gbps, o triplo da América do Norte, a segunda colocada no ranking. Os Emirados Árabes Unidos são o país com maior velocidade média por download, com 1,24 Gbps. Para a Ookla, o GCC é visto como um exemplo do potencial que a arquitetura da rede standalone tem quando totalmente implementada, embora ressalte que isso se dá graças ao alto poder financeiro das operadoras da região.

Na Ásia, 80,9% das amostras 5G SA são da China, onde também há cerca de 10 milhões de assinantes da conexão 5G Advanced. A Índia vem na sequência, com participação de 48,6% do SA nas amostras, seguida por Cingapura, com 38,9%.

Na América do Norte, a empresa observa que nos Estados Unidos, a rede atingiu sua maturidade entre as maiores operadoras do país, como a AT&T, Verizon e T-Mobile. As duas primeiras lançaram redes 5G standalone para todo o território estadunidense em 2025. “A participação da amostra de 5G SA do país cresceu de 24% para 32% ano a ano, com velocidades médias de download em redes SA atingindo 404 Mbps, mais que o dobro do desempenho do NSA”, afirma a Ookla.

Na América Latina, os números são competitivos, mas com ressalvas. Na média, a velocidade de download da rede SA é de 381 Mbps. Em contrapartida há baixa implementação, com apenas 1,1% no último trimestre. No Brasil, o número foi maior, saindo de 1,4% para 2,1% no comparativo anual. O país, inclusive, tem uma velocidade média de download de 374 Mbps no 5G SA, número próximo do registrado normalmente na América do Norte, cuja velocidade é de 398 Mbps.

A Europa fica na lanterna do estudo da Ookla, mesmo que tenha avançado no comparativo anual, ao crescer 1,7 ponto percentual a mais do que no mesmo período de 2024, chegando a 2,8%. O avanço é atribuído pela empresa às implantações feitas na Áustria, Espanha e Reino Unido. O progresso ainda faz com que a região fique 27 pontos percentuais atrás do registrado na América do Norte e 30 pontos abaixo do avanço na Ásia.

De acordo com a Ookla, em média, as redes SA europeias possuem velocidade de download de 205 Mbps, número 45% maior ao do 5G NSA. “Essa diferença de desempenho reflete a dependência contínua do espectro de baixa frequência (principalmente na Alemanha) e a implantação limitada de espectro de média frequência para SA”, observa a empresa.

Previsões e ponderações da Ookla
A pesquisa mostrou algumas tendências para este ano. Entre elas as oportunidades com avanço do 5G SA no setor corporativo, como investir e monetizar os níveis de velocidade na Europa, o fatiamento de rede/slicing em Cingapura e EUA, além de oferecer pacotes segmentados de 5G Advanced para gamers e streamers na China. Ainda no universo B2B, a Ookla identifica potencial no acesso fixo sem fio (FWA) empresarial e no fatiamento da rede para setores da segurança pública e campus industriais.

Para a Ookla, lançar a rede standalone não é uma garantia de que o desempenho da conexão vai melhorar, pois isso depende de uma otimização de ponta a ponta. Uma importante base para isso são as políticas públicas.

“As evidências apresentadas neste relatório sugerem que as estruturas políticas nacionais emergiram como um determinante primário da competitividade do 5G SA, com a estratégia de alocação de espectro, os mandatos de investimento em infraestrutura, as obrigações de cobertura e a inovação regulatória moldando os resultados tão poderosamente quanto a capacidade tecnológica ou a escala da operadora”, ressalta a empresa, citando o Brasil como exemplo e o leilão do espectro 5G que aconteceu em 2021.

“Isso garantiu que a infraestrutura 5G do Brasil fosse construída desde o início sobre a base arquitetônica necessária para recursos avançados, incluindo latência ultrabaixa e fatiamento de rede”, diz o relatório.

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