5G Américas encerrará operações no fim de fevereiro de 2026
A organização 5G Américas anunciou que encerrará suas operações e dissolverá formalmente suas atividades no fim de fevereiro de 2026, marcando o fechamento de uma etapa importante na evolução da indústria móvel no continente.
A associação, com sede em Seattle, reuniu alguns dos principais atores do ecossistema sem fio, entre eles AT&T, Cisco, Ericsson, Mavenir, Nokia, Qualcomm, Samsung, T-Mobile US e Ciena, entre outros.
Vale lembrar que a organização operou inicialmente sob o nome 3G Américas, depois passou a se chamar 4G Américas até abril de 2016, quando adotou a denominação atual para refletir a evolução tecnológica rumo ao 5G. Na semana passada, o conselho diretor da 5G Américas aprovou a dissolução total da entidade.
Um encerramento estratégico, não reativo
Em conversa com Mobile Time Latinoamérica, Viet Nguyen, vice-presidente de Relações Públicas e Tecnologia da organização, explicou que a decisão resulta de uma avaliação estratégica, e não de uma mudança abrupta no ambiente.
“5G Américas foi originalmente criada para servir como uma voz confiável da indústria sem fio nas Américas (…) Durante a última década, a organização ajudou a conduzir a transição do 4G LTE para o 5G, apoiou o avanço do 5G-Advanced e contribuiu para o diálogo inicial que está moldando o 6G”, afirmou.
Segundo Nguyen, o ecossistema sem fio hoje é “sólido, comercialmente maduro e competitivo em nível global”, o que levou o conselho a concluir que era o momento adequado para encerrar as operações de forma estruturada. “Isso responde a uma avaliação estratégica da missão e do momento da organização, e não a uma mudança reativa ou abrupta”, enfatizou.
O que acontecerá com seus membros?
Diante da preocupação sobre o futuro do trabalho regulatório, Nguyen esclareceu que as empresas que integram o conselho continuarão ativas em políticas públicas, regulação e padronização.
“Como todas as grandes companhias de telecomunicações, elas contam com suas próprias equipes de assuntos governamentais, regulação e padronização e continuarão interagindo diretamente com formuladores de políticas públicas, reguladores e organismos de padronização, tanto individualmente quanto por meio de diversos fóruns do setor”, explicou.
O executivo acrescentou que, embora a 5G Américas oferecesse uma plataforma relevante de colaboração coletiva, o encerramento não implica redução no compromisso do setor com a defesa e o desenvolvimento das tecnologias sem fio de próxima geração.
“À medida que a indústria evolui, a colaboração continuará por meio de outros mecanismos e organizações já estabelecidos. O encerramento da 5G Américas não diminui o compromisso permanente do setor com o diálogo regulatório nem com a defesa coordenada das tecnologias sem fio de próxima geração”, acrescentou.
América Latina
O fechamento na América do Norte ocorre um ano após a organização ter concluído suas operações na América Latina e no Caribe, em março de 2025, depois de quase onze anos promovendo políticas e regulações na região.
José Felipe Otero, então presidente regional, declarou ao Mobile Time: “O anúncio me causa tristeza. A 5G Américas foi uma referência essencial para todos os atores do setor de telecomunicações na América Latina e no Caribe”.
A dissolução da 5G Américas acontece em um momento em que a tecnologia 5G já está implantada comercialmente em múltiplos mercados do continente, enquanto a indústria segue para o 5G-Advanced e começa a delinear o caminho rumo ao 6G.
