Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Brasil pode investir até R$ 181 bilhões em usinas de recuperação energética de resíduos, reduzir GEE e avançar na meta de neutralidade de carbono Até 2050

Gestão de resíduos sólidos urbanos, metas climáticas e Waste-to-Energy colocam o país diante de um novo modelo energético e ambiental

Primeiramente, a geração de resíduos sólidos urbanos (RSU) cresce de forma contínua no Brasil e no mundo. Além disso, o avanço da urbanização e do consumo amplia a pressão sobre recursos naturais. Nesse contexto, a tecnologia Waste-to-Energy (WtE) surge como alternativa estratégica. Segundo a ABREN, a recuperação energética reduz aterros, reaproveita materiais e gera energia térmica e elétrica de forma ambientalmente controlada.

Ao mesmo tempo, a pauta ambiental ganhou força após o Acordo de Paris, firmado em 2015. Naquele ano, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 48% até 2025 e 53% até 2030, considerando 2005 como base. Além disso, o país projeta alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Entretanto, dados internacionais indicam que o Brasil ocupa atualmente a sexta posição entre os maiores emissores globais.

Setor de resíduos é considerado decisivo para cumprir metas climáticas
Segundo Yuri Schmitke, presidente da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), o setor de resíduos precisa evoluir rapidamente. Conforme ele destacou em fevereiro de 2026, grande parte do lixo urbano ainda segue para lixões e aterros sanitários. Contudo, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) recomenda soluções mais sustentáveis.

Além disso, Schmitke reforça que o país deve ampliar práticas como:

Reciclagem estruturada e ampliada
Compostagem de resíduos orgânicos
Tratamento térmico e biológico
Aproveitamento de biogás e biometano
Portanto, a valorização energética aparece como caminho complementar. Consequentemente, além de reduzir emissões de metano, a estratégia pode fortalecer a economia circular.

Potencial de 130 usinas e modelo de financiamento estruturado
De acordo com estimativas da ABREN, divulgadas em 2026, o Brasil pode construir até 130 usinas de recuperação energética (URE’s). Para isso, os investimentos podem alcançar R$ 181 bilhões. Além disso, o modelo previsto inclui Project Finance, contratos de longo prazo e garantias de compra de energia.

Simultaneamente, o setor também poderá gerar receitas adicionais por meio de créditos de carbono. Assim, a estrutura financeira tende a oferecer maior previsibilidade aos investidores. Ainda assim, segundo a entidade, é fundamental acelerar decisões regulatórias.

Brasil inicia implantação enquanto outros países avançaram há décadas
Atualmente, o Brasil constrói suas três primeiras URE’s. Entre elas, destaca-se a URE Barueri, em São Paulo. Conforme cronograma divulgado, a unidade deve entrar em operação em janeiro de 2027. Além disso, terá capacidade de tratar 825 toneladas diárias de resíduos e potência instalada de 20 MW.

Enquanto isso, outros países consolidaram esse modelo há décadas. Segundo informações apresentadas pela ABREN, existem mais de 3 mil usinas de recuperação energética no mundo. Na China, cerca de 75% dos resíduos urbanos seguem para essas unidades. No Japão, o índice de aproveitamento energético alcança 70%.

Programa Nacional do Metano Zero é apontado como instrumento regulatório

Por fim, Schmitke defende a aprovação do Programa Nacional do Metano Zero, atualmente em tramitação no Senado Federal. A proposta busca reduzir emissões de metano por meio da valorização de resíduos orgânicos e da geração de energia.

Além disso, o programa prevê a criação de um certificado de origem do biogás. Dessa forma, segundo a ABREN, o país poderá alinhar gestão de resíduos, política energética e compromissos climáticos assumidos desde 2015.

Diante desse cenário, o Brasil conseguirá acelerar a modernização da gestão de resíduos sólidos urbanos e cumprir suas metas ambientais dentro dos prazos estabelecidos?

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