Poosting: rede social brasileira alcança 4,5 milhões de usuários em um ano
A Poosting (Android, iOS) é uma rede social brasileira, nascida em Fortaleza há um ano, em janeiro de 2025. Logo no início, ganhou fama na região e depois se espalhou por todo o Brasil. Possui 4,5 milhões de usuários inscritos e agora a empresa de publicidade WProo, idealizadora da plataforma, está em vias de fechar com um grande investidor alemão. A notícia deve chegar nos próximos dias e vem deixando Afonso Alcântara, CEO e cofundador da Poosting, ansioso.
“Começamos a conversar com grandes fundos de investimento. Acredito que o negócio seja concretizado em breve. Será um early stage, em torno de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões”, explica o executivo durante conversa com Mobile Time.
A rede social poderá se sustentar por três ou quatro anos com o montante, que será destinado basicamente para data center, marketing e equipe. A ideia é que o modelo de negócio voltado para publicidade ganhe tração enquanto isso.
Vale dizer que, no início, os executivos investiram do próprio bolso, mas logo foram convidados pelo Google para participarem do projeto Google Cloud for Startups. Ali, receberam crédito de R$ 1,5 milhão para usar na nuvem da big tech – o principal gasto de uma rede social.
“Ganhamos fôlego para correr atrás dos fundos e conseguimos chamar a atenção de alguns”, comenta Alcântara.
Poosting só com convite
O grande sucesso inicial da rede social também pode ser a derrocada do negócio. Portanto, a Poosting só aceita a entrada de novos usuários mediante convite. A ideia é que o crescimento seja sustentável e não aos tropeços, o que poderia gerar uma demanda além do que conseguiriam suportar de data center.
“Rede social cresce rápido e depende de um fundo para sustentar o crescimento dos próximos anos”, diz o executivo. “Por isso, só entra agora com convite. E, ao mesmo tempo, isso gera escassez e exclusividade. As pessoas gostam desse movimento”, conta. “Tivemos que fazer dessa forma e está sendo interessante. As pessoas ficam ansiosas e o convite causa burburinho nas nossas redes. Isso acaba se tornando um marketing. É uma estratégia que controla o crescimento acelerado demais”, complementa.
Detalhes da rede e seus usuários
A Poosting lembra o Orkut por ter comunidades. Estão lá as clássicas como “Abro a porta da geladeira só para ver” e “Eu odeio acordar cedo”. A interação social é diferente das demais redes atuais por não conter o algoritmo de influência, ou de recomendação, e pelo fato de o feed ser cronológico.
Segundo Alcântara, o público da rede social é variado. Enquanto o Facebook reúne aqueles com 40 anos ou mais e o TikTok concentra os adolescentes e jovens, na Poosting as gerações se encontram. Atualmente, São Paulo é a principal cidade com usuários, seguida por Fortaleza, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mas há também usuários dos Estados Unidos, Índia e Portugal – a maior parte são brasileiros que moram nesses países.
O executivo diz que o tempo médio na plataforma por sessão é de 10 minutos, enquanto a média no Instagram e Facebook estaria entre 6-7 minutos. Só perde para o TikTok, com 11 minutos por sessão. “Não esperávamos, mas trouxemos de volta a internet que era interessante: as relações, o convívio etc. Não temos só a fotinho bonita”, diz.
“O algoritmo de influência [ou de recomendação] nos foi empurrado e gerou uma insatisfação muito grande. Muitas pessoas não querem mais isso”, comenta Alcântara, que desenvolveu a Poosting depois que uma amiga que sofria de depressão disse a ele que as grandes responsáveis pelo seu sofrimento eram as redes sociais.
