Sábado, 7 de Março de 2026

Brasil sinaliza abertura para negociações entre Mercosul e China

O Brasil indicou uma mudança de postura em relação a negociações comerciais entre o Mercosul e a China, ao admitir a possibilidade de avançar em um acordo parcial entre o bloco e o país asiático.

O Brasil sinalizou hoje, 6 de fevereiro, uma nova abertura para discutir negociações comerciais entre o Mercosul e a China, segundo a Reuters. Autoridades brasileiras passaram a considerar viável a negociação de um acordo parcial, movimento que representa uma inflexão em relação à posição tradicionalmente adotada pelo país, que historicamente se opôs a tratados desse tipo com Pequim.

A avaliação no governo brasileiro é de que um acordo amplo de livre comércio segue distante, mas que há espaço para discutir formatos mais limitados, como a redução de tarifas em produtos específicos ou o tratamento de barreiras não tarifárias, incluindo procedimentos aduaneiros e requisitos sanitários.

Vale ressaltar que os produtos básicos e insumos primários continuam sendo o pilar central da balança comercial brasileira. O Brasil encerrou o ano de 2025 com um recorde histórico nas exportações, impulsionado majoritariamente pelos insumos primários (commodities). O valor total exportado alcançou US$ 348,7 bilhões, o que representa o maior volume já registrado pelo país.

Agronegócio: O setor bateu recorde com US$ 169,2 bilhões em exportações (alta de 3% sobre 2024), representando 48,5% de todas as vendas externas do país.
Mineração e Petróleo: A indústria extrativista cresceu 8%, com destaque para o embarque histórico de 98 milhões de toneladas de petróleo.
Principais Insumos Exportados (Valores Consolidados):

ProdutoValor Exportado (Aprox.)Observação
Minério de FerroUS$ 42,2 bilhõesPrincipal item da pauta exportadora
SojaUS$ 37,3 bilhõesManteve forte demanda, especialmente da China
Óleos brutos de PetróleoUS$ 27,4 bilhõesTerceiro item mais importante
Café não torradoCrescimento de 47,4%Receita impulsionada pela alta nos preços globais
Carnes (Bovina e Aves)Destaque em proteínaCrescimento contínuo no setor de proteína animal

 

A China permanece como o maior parceiro comercial do Brasil, absorvendo 26,8% das exportações brasileiras, sendo que 88,5% desse total são produtos básicos (soja, petróleo e minério), com um fluxo superior a US$ 56 bilhões em produtos.

Setor Eletroeletrônico
Quando falamos do mercado de produtos elétricos e eletrônicos, as exportações do Brasil somaram US$ 815,4 milhões no mês de dezembro de 2025, resultado 21,8% acima do registrado em dezembro de 2024 (US$ 669,4 milhões), e observou-se aumento de 19,6% nas exportações para a China.

 

mercosul

Fonte: Abinee

Porém, apesar deste acréscimo, o país asiático representa apenas 2% do total das exportações do setor.

 

Fonte: Abinee

Quando falamos de importações de produtos elétricos e eletrônicos o valor cresce exponencialmente, totalizando US$ 48,7 bilhões em 2025, resultado 2% superior ao atingido em 2024, (US$ 47,8 bilhões). Os países da Ásia foram as principais origens das importações de bens do setor, participando com 68% do total, sendo que apenas a China representou 45% do total.

As maiores taxas de crescimento foram das importações de bens de Informática (+22,4%), Automação Industrial (+14,3%) e itens de Telecomunicações (+13,4%), que contaram com as compras externas de máquinas para processamento de dados (+54%), de instrumentos de medida (+17%) e de telefones celulares (+21%), respectivamente.

As importações de Utilidades Domésticas aumentaram 4,5% influenciadas pela elevação de 50% nas compras externas de equipamentos de áudio e vídeo. As importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos (+0,5%) somaram US$ 23,5 bilhões em 2025, o que representou 48% do total das importações de produtos do setor.

Ainda no que se refere aos Componentes, os principais destaques foram os semicondutores (US$ 6 bilhões), eletrônica embarcada (US$ 3,3 bilhões) e componentes para informática (US$ 3,3 bilhões). Nota-se que estes foram os três principais produtos importados do setor. Aumentaram também as importações de Equipamentos Industriais (+0,7%) influenciadas pelas compras externas de motores e geradores (+11%).

 

Fonte: Abinee

 

A possibilidade de um novo acordo comercial ocorre em um contexto internacional marcado por tensões comerciais e pela busca de diversificação de parceiros econômicos.

O tema ainda ganhou relevância após declaração conjunta divulgada durante visita do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, a Pequim. No documento, os países do Mercosul manifestaram o interesse de que eventuais negociações com a China possam ser iniciadas “o mais rápido possível”. O bloco é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão plena.

O avanço, porém, dependerá do consenso entre os países membros do Mercosul. Nesse contexto, o Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan, o que pode impor restrições a uma negociação mais ampla com a China. Ainda assim, autoridades paraguaias já indicaram disposição para dialogar, desde que preservados esses vínculos diplomáticos.

A Argentina também aparece como fator relevante no processo. A orientação da política externa do governo argentino e sua aproximação com os Estados Unidos podem influenciar o ritmo e o alcance das discussões no âmbito do Mercosul, embora o país mantenha relações comerciais e diplomáticas com a China.

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