Brisanet lidera uso de recursos do Fust em projetos de rede móvel
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atualizou no começo do ano os dados públicos sobre os financiamentos realizados com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). As informações indicam predominância de operadoras e provedores regionais na contratação dos empréstimos em todos os tipos de projetos elegíveis — da conexão de escolas à expansão de redes móveis e ópticas. Entre as empresas individualmente consideradas, a Brisanet foi a que mais acessou recursos do fundo em 2025 para projetos de rede móvel.
Conforme os dados divulgados pelo BNDES, a Brisanet contratou R$ 360,68 milhões do Fust no ano passado. Os recursos foram destinados à implantação de 404 estações rádio base e torres, além da aquisição de 50 mil modems FWA. Nenhuma outra das cinco empresas que recorreram ao fundo para projetos voltados à infraestrutura móvel contratou volume semelhante de recursos para expansão da rede no período.
Além da Brisanet, outras empresas utilizaram recursos do Fust para a expansão de infraestrutura associada ao mercado móvel em 2025. A Highline contratou R$ 68,43 milhões, a Unifique R$ 33,79 milhões, a Winity R$ 13,82 milhões e a Cloud2U (iez! Telecom) R$ 10,29 milhões.
No detalhamento dos projetos, a Highline direcionou os recursos para a ampliação de sua oferta de torres. A Winity utilizou os financiamentos para a aquisição de estações rádio base e torres. A Unifique investiu exclusivamente em estações rádio base, enquanto a iez! Telecom adquiriu tanto ERBs quanto modems FWA.
Ao final de 2025, os projetos financiados com recursos do Fust resultaram na implantação de 514 estações rádio base 4G e 5G, na construção de 616 torres e na aquisição de 54 mil modems FWA.
Redes ópticas
No segmento de redes ópticas de acesso, a Alloha Fibra (Sumicity) foi a empresa que mais acessou recursos do Fust em 2025. A companhia contratou R$ 339,97 milhões junto ao BNDES, montante aplicado na construção de 712 mil homes passed.
Outra empresa que recorreu ao fundo no ano passado foi a Proxxima, recentemente adquirida pela Zaaz, do grupo Werthein. Nesse caso, a operadora contratou R$ 26,23 milhões, utilizados na construção de 54,9 mil homes passed.
Em redes de alta capacidade (backbone e backhaul), a Brisanet financiou R$ 173,3 milhões, e a Proxxima, R$ 62,2 milhões.
Cenário geral do Fust
Ao final de dezembro de 2025, o Fust havia financiado R$ 2,8 bilhões em projetos distribuídos por 1.223 municípios. Os recursos apoiaram iniciativas de 479 provedores. Do valor total contratado, R$ 1,6 bilhão foi destinado à expansão da malha óptica, resultando na construção de cerca de 12 mil quilômetros de rede.
Projetos voltados à conectividade rural, de escolas e de favelas somaram R$ 775 milhões, sendo 72% desse montante direcionado à conexão de unidades de ensino. Com os recursos do fundo, 1.938 escolas foram conectadas, além de 680 favelas e 14 municípios classificados como rurais prioritários.
O BNDES também emprestou R$ 150 milhões do Fust em 2025 para projetos de construção de data centers, segmento que concentrou o menor volume de recursos financiados pelo fundo no período.
