Sábado, 14 de Março de 2026

Sustentabilidade que dá lucro

Um grupo restrito de empresas globais tem conseguido transformar desempenho ambiental em ganhos financeiros concretos, mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas. É o que mostra o estudo CDP Corporate Health Check 2026, divulgado nesta semana.

Segundo o relatório, apenas 15% das empresas no mundo alcançaram o nível de liderança em ao menos um dos temas ambientais avaliados — clima, água e florestas. Ainda assim, esse grupo reduziu emissões a um ritmo quatro vezes maior que o de seus pares e destravou US$ 218 bilhões em oportunidades financeiras nos últimos 12 meses.

Na América Latina, o valor chegou a US$ 25,063 bilhões, sendo US$ 23,919 bilhões no Brasil, acumulados por empresas líderes em clima.

A liderança ambiental avança de forma desigual entre regiões. O Japão aparece como principal destaque global, com 22% das empresas no nível de liderança em clima, à frente da União Europeia (16%) e do Reino Unido (17%). O Brasil registra 7%, enquanto os Estados Unidos ficam na lanterna, com apenas 5%.

O estudo também aponta que empresas com melhor desempenho ambiental tiveram crescimento superior da capitalização de mercado desde 2022, especialmente nos setores financeiro, de infraestrutura e vestuário. Em comum, essas companhias adotam governança robusta, planos de transição alinhados à meta de 1,5°C e metas ambientais atreladas à remuneração de executivos.

Adaptação ainda é gargalo

O levantamento mostra que o principal desafio segue sendo a adaptação. As empresas reportaram US$ 1,47 trilhão em riscos físicos ambientais, com mais de um quarto desses riscos previstos para se materializar no curto prazo.

Apesar disso, apenas US$ 84,5 bilhões foram investidos em adaptação física em 2025. Na América Latina, esse montante foi de US$ 8,03 bilhões, sendo US$ 7,0 bilhões no Brasil.

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