Sexta-feira, 13 de Março de 2026

Samm reestrutura rede para focar mercados centrais

A Samm iniciou um processo de reestruturação de sua infraestrutura de telecomunicações com o objetivo de concentrar a operação nos mercados considerados centrais para a estratégia da companhia. A iniciativa envolve a redução de quase metade da extensão total da rede de fibra óptica, com a descontinuidade de operações em regiões avaliadas como menos eficientes do ponto de vista operacional e atraentes, do ponto de vista econômico.

Segundo o CEO da empresa, Carlos Eduardo Sedeh, a Samm operava uma rede próxima de 50 mil quilômetros, dos quais cerca de 25 mil quilômetros estão sendo transferidos a terceiros.

De acordo com o executivo, a reestruturação não tem como foco a venda dos ativos, mas a cessão da operação da infraestrutura e dos contratos a parceiros regionais, de forma a garantir a continuidade do atendimento aos clientes locais. “A gente praticamente fez uma cessão dessas infraestruturas para essas empresas parceiras”, disse.

Onde a Samm concentra a operação
Com a reestruturação, a Samm passa a concentrar sua atuação em um eixo geográfico considerado estratégico, onde mantém redes backbone resilientes, maior densidade de clientes corporativos e melhores indicadores de margem e EBITDA. Permanecem como mercados centrais da companhia:

São Paulo e interior de São Paulo
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
Brasília e Goiânia
Porto Alegre e Curitiba
Santa Catarina, incluindo Florianópolis e rotas pelo interior e litoral
Em contrapartida, a empresa está deixando operações em regiões onde a infraestrutura era mais dispersa e com maior custo logístico. Entre as áreas mencionadas por Sedeh estão o interior do Rio de Janeiro, parte do interior de São Paulo não conectada ao backbone principal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

“A gente fez uma escolha difícil que está sendo muito dolorida”, afirmou o CEO. “São áreas onde a operação é muito complexa. Estamos diminuindo o tamanho da empresa para poder focar onde está o nosso resultado, onde está a nossa margem, o nosso EBITDA”, falou na entrevista ao videocast semanal do Tele.Síntese.

Sedeh destacou que a empresa preservou os ativos considerados estratégicos. “Não abrimos mão de rede enterrada, não abrimos mão de rede resiliente”, disse, ao explicar que boa parte das redes descontinuadas eram pontas isoladas, muitas vezes aéreas, com alto custo recorrente de manutenção.

Assimetrias em pauta
Na parte final da entrevista, o CEO da Samm fez uma avaliação crítica das assimetrias regulatórias e tributárias no setor de telecomunicações, especialmente na competição entre empresas de diferentes portes.

“É muito difícil competir quando as regras são diferentes”, afirmou. “Imagina você entrar num jogo de futebol e o seu adversário pode pegar a bola com a mão e você não pode”, comparou.

O executivo citou distorções relacionadas ao uso do Simples Nacional por provedores, à separação entre SCM e SVA e à aplicação desigual de obrigações regulatórias. Para ele, o cenário atual cria incentivos inadequados e penaliza empresas que seguem integralmente as regras. “A gente teria que ter regras minimamente iguais para todo mundo jogar o jogo”, disse.

Segundo Sedeh, a competição deveria ser definida por eficiência técnica, qualidade de serviço e capacidade de entregar soluções consistentes aos clientes. “Que ganhe o melhor, e não o mais audacioso”, concluiu.

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