Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2026

Indústria eletroeletrônica projeta expansão em 2026

Sondagem conjuntural de dezembro mostra piora em vendas e encomendas no fim de 2025, mas indica que 81% das empresas esperam crescimento em 2026.

A indústria eletroeletrônica encerrou dezembro de 2025 com piora nos indicadores de vendas e encomendas em relação às pesquisas anteriores, mas mantém projeções majoritariamente positivas para 2026, segundo a Sondagem Conjuntural divulgada pela Abinee nesta semana.

Desempenho recente do setor
No levantamento referente a dezembro, 38% das empresas relataram crescimento nas vendas ou encomendas em comparação com o mesmo mês de 2024, resultado 12 pontos percentuais abaixo do observado na sondagem anterior. Em relação a novembro de 2025, as indicações de aumento passaram de 19% para 25%, mas também cresceu a parcela que registrou queda, de 48% para 53%. O ritmo dos negócios permaneceu pressionado: 49% das empresas classificaram o desempenho abaixo do esperado, percentual próximo ao verificado no mês anterior.

O nível de emprego apresentou estabilidade. Apenas 12% das empresas informaram aumento do número de funcionários frente ao mês anterior, enquanto 80% apontaram manutenção do quadro. A utilização da capacidade instalada permaneceu em 77%, patamar que se mantém praticamente inalterado desde o fim de 2024.

Custos, estoques e financiamento
A sondagem indicou normalidade nos estoques de matérias-primas, componentes e produtos acabados para a maior parte das empresas. Em dezembro, 79% relataram situação normal dos estoques de insumos e 74% dos produtos finais. Pressões de custos foram mencionadas por 27% das entrevistadas, índice inferior ao registrado nos meses anteriores, com destaque para despesas como energia, água e impostos.

As dificuldades para obtenção de financiamento para capital de giro atingiram 17% das empresas, percentual menor que o observado nos três meses anteriores. O levantamento também aponta que 66% das companhias não utilizam esse tipo de instrumento financeiro.

Comércio exterior e tarifas
No comércio internacional, as exportações continuaram pressionadas. Apenas 20% das empresas relataram aumento das vendas externas em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto 39% indicaram queda. A Abinee associa parte desse desempenho à retração das vendas para os Estados Unidos, após a imposição de tarifas sobre determinados produtos brasileiros.

Entre as empresas que exportam para o mercado norte-americano, 40% afirmaram sofrer impactos diretos da elevação tarifária, incluindo perda de competitividade, redução de pedidos, renegociação de contratos e aumento das incertezas. Outras 26% consideraram cedo para avaliar os efeitos, enquanto 34% disseram não perceber impacto até o momento.

Componentes, semicondutores e logística

As dificuldades de abastecimento de componentes e matérias-primas permaneceram restritas. Apenas 3% das empresas relataram problemas de falta desses insumos em dezembro. No caso específico de semicondutores, 6% das companhias que utilizam esses itens apontaram dificuldades de aquisição.

Por outro lado, 24% das empresas relataram pressão nos custos de componentes e matérias-primas, com aumentos associados a memórias, ouro, prata, cobre e alumínio. A sondagem registra que a maior demanda global por memórias, impulsionada pela expansão de aplicações de inteligência artificial, tem elevado os preços no mercado internacional e impactado o mercado brasileiro. Os gargalos logísticos continuaram em queda ao longo de 2025, com apenas 8% das exportadoras relatando problemas no transporte marítimo e 13% apontando atrasos em importações.

Expectativas da área eletroeletrônica para 2026
Apesar das incertezas econômicas internas e externas, segundo os dados da Abinee, 81% das indústrias da área eletroeletrônica projetam crescimento das vendas e encomendas em 2026, percentual superior ao registrado na sondagem de novembro. Além disso, 67% indicaram intenção de contratar novos funcionários e 72% planejam realizar investimentos no próximo ano, principalmente em atualização do parque fabril, automação de processos e otimização da produção.

 

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