Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Projeto Terra Preta prepara comunidade indígena para uso da internet das infovias do Norte Conectado

Comunidades indígenas, como a aldeia de Belém dos Solimões, em Tabatinga (AM), passam por capacitação para utilizar a internet de alta qualidade que chegará à região por meio das Infovias do programa Norte Conectado, medida que, entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026, através do Projeto Terra Preta, realizou, no território local, o 8º Encontro de Cidadania Digital. A iniciativa preparou comunicadores, educadores, jovens indígenas e lideranças comunitárias para o uso produtivo, seguro e socialmente orientado da conectividade que será disponibilizada com a implantação da infraestrutura federal.

Infovias como porta de acesso à internet

As infovias do Norte Conectado constituem a base física que permitirá que comunidades indígenas e ribeirinhas passem a ter acesso à internet de alta qualidade, superando limitações históricas de conectividade na região amazônica. O encontro em Belém dos Solimões parte do pressuposto de que a infraestrutura, por si só, não garante inclusão digital, sendo necessária formação prévia para que as comunidades possam usar a internet de forma produtiva, segura e alinhada às suas realidades socioculturais.

A capacitação envolveu comunicadores populares, educadores, jovens indígenas e lideranças locais, com foco no uso da internet para comunicação comunitária, educação, acesso a serviços públicos digitais e fortalecimento da cidadania, antecipando os impactos da conectividade que chegará por meio das infovias coordenadas pelo Ministério das Comunicações e pela Anatel.

Comunicação indígena e uso prático da internet

Com o tema “Ajuri de Fortalecimento da Rádio A’uma e da Educação Digital”, a programação marcou o início das transmissões oficiais da Rádio A’uma, reconhecida como a primeira rádio comunitária indígena das Amazônias. Os participantes também realizaram oficinas práticas de construção de mini transmissores, produção de roteiros para podcast e organização de conteúdos digitais voltados à realidade local.

Além disso, foram discutidos uso seguro e crítico da internet, combate à desinformação, plataformas digitais livres, ferramentas de participação social e acesso a serviços de governo digital (e-Gov), com o objetivo de ampliar a capacidade da comunidade indígena de utilizar a conectividade para além do consumo de conteúdo.

Articulação institucional

O Projeto Terra Preta é realizado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Segundo Guilherme Gitahy, idealizador do projeto e professor da UEA, a capacitação busca garantir que a conectividade chegue a territórios indígenas com uso socialmente estruturado. “Estamos preparando as comunidades para utilizar a internet de alta qualidade das infovias de forma enraizada nos saberes amazônicos. A ideia é que a tecnologia chegue com capacidade local de uso, geração de renda, fortalecimento cultural e exercício da cidadania”, afirmou.

Histórico e próximos encontros

Desde junho de 2025, o Projeto Terra Preta já promoveu encontros no Amazonas, Pará e Roraima, envolvendo cerca de 300 participantes de comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas de ao menos doze etnias. As atividades passaram por municípios como Fonte Boa, Santo Antônio do Içá e Tefé (AM); Outeiro, Breves e Belém (PA); e Boa Vista (RR). Para 2026, estão previstos novos encontros em Cantá – Serra da Lua (RR) e Ponta de Pedras (PA).

 

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