Sexta-feira, 13 de Março de 2026

MDIC e FENINFRA dizem que tarifas antidumping podem afetar 20 mil empresas

Representantes da FENINFRA (Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática) e de associações de provedores e operadoras reuniram-se nesta terça-feira (27) com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin. O encontro tratou dos impactos das tarifas antidumping aplicadas sobre fibras e cabos ópticos importados, medida que entrou em vigor no final de 2025.

A comitiva, que incluiu entidades como InternetSul, RedeTelesul, TelComp, Abramulti e a Fenattel, detalhou os impactos da sobretaxa de 90% estabelecida no fim de 2025, que fixou direitos de US$ 47,46/kg para fibra óptica monomodo e US$ 2,42/kg para cabos de fibra. Segundo as entidades, o custo de itens essenciais, como o cabo drop (usado na conexão final de residências), pode sofrer um aumento de até 260%, inviabilizando operações de pequenos e médios provedores.

Impactos estruturais e econômicos

O setor destacou que a medida coloca em risco a sobrevivência de mais de 20 mil empresas e pode resultar na demissão de até 150 mil trabalhadores. Atualmente, o segmento de infraestrutura de rede emprega entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas no Brasil.

E além do impacto no emprego, as entidades alertaram para o risco de desabastecimento, uma vez que a indústria nacional ainda não possui capacidade operacional nem variedade para suprir a demanda total do mercado.

“Um governo que tem uma agenda social e preocupação com os empregos como prioridade precisa olhar esse impacto com muita atenção. Não questionamos as preocupações do governo em estabelecer as medidas, mas o fato é que os efeitos são muito pesados para um setor que tem promovido a inclusão digital do Brasil. Estimamos que mais de 700 empresas correm risco real de fechar as portas, afetando a população diretamente”, afirmou Vivien Suruagy, presidente da FENINFRA.

Risco à conectividade regional

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideram o ranking de áreas mais vulneráveis ao impacto das tarifas, seguidas pelo Sudeste e Sul. O encarecimento dos insumos compromete diretamente a viabilidade de políticas públicas essenciais, como a implantação do 5G, a segurança cibernética e a universalização da internet.

Um exemplo crítico mencionado no encontro foi o programa de Escolas Conectadas: em zonas rurais ou periféricas, a conexão de uma única unidade pode exigir entre 10 e 15 km de fibra óptica, projeto que se torna financeiramente inviável sob a nova estrutura de custos.

“O encarecimento dos materiais tende a frear investimentos em áreas remotas e periféricas, comprometendo a meta de levar internet de alta velocidade a escolas públicas e zonas rurais, onde a demanda por cabeamento de longa distância é maior”, explica Vivien.

Diálogo aberto

O ministro Geraldo Alckmin defendeu a necessidade de corrigir distorções de preços causadas pelo dumping, mas abriu espaço para o diálogo. Ficou acordado que as associações elaborarão uma nota de interesse público detalhando as lacunas de produção da indústria nacional e as evidências da demanda real. Com base nesses novos dados, o governo se comprometeu a reavaliar a medida.

“Não se trata de discutir o mérito da política comercial, mas de olhar o efeito real. Se o insumo sobe nesse patamar e o mercado nacional não consegue entregar volume e em um preço acessível aos operadores, a conta ou chega ao consumidor ou gera quebra de empresas e perda de empregos, podendo ainda travar a expansão da internet onde ela é mais necessária”, finalizou a presidente da Feninfra.

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