Operadoras se planejam para impactos de tarifas antidumping na fibra
As medidas antidumping estabelecidas pelo governo no final do ano passado para corrigir as distorções competitivas entre fabricantes chineses e fabricantes nacionais estão levando as operadoras de telecomunicações a fazerem as contas e se planejar para cenários de mitigação. Entre as alternativas estão a importação de equipamentos de outros países (ou subsidiárias dos fabricantes chineses estabelecidas em outros países), diversificação de fornecedores, procura de substitutos nacionais (caso o mercado tenha capacidade) e até mesmo reavaliação de investimentos, segundo fontes ouvidas por este noticiário. Mas uma coisa é certa: as medidas antidumping certamente irão aumentar os custos de projetos com fibra, diz um dos mais experientes executivos do mercado ouvidos por este noticiário.
“Estamos com algumas iniciativas e negociações em andamento diretamente com fornecedores lá na China, para mitigar a situação e poder ter uma medida clara destes impactos”, relatou a fonte. Segundo este interlocutor, “apesar da medida já prever um valor adicional de US$ 2,42/kg de cabo óptico importado da China, não temos ainda uma informação mais precisa do impacto real nos custos, pois também compramos muitos cabos de fibra de outros fornecedores que não são chineses”.
O assunto está demandando análise da área financeira e de suprimentos desta grande empresa, e também pelos fornecedores. “Para contornar esses custos adicionais das medidas antidumping, alguns fabricantes chineses, que possuem fábricas em outros países, estão propondo fornecer cabos destes locais fora da China”, diz a fonte.
Numa rede FTTH externa, a rede de cabo de fibra representa a maior parte do custo do home-passed: cerca de 75% em média. Os outros 25% se referem a custos de eletrônica (OLT), posteamento, mão-de-obra, acessórios etc.
Já a rede interna tem outro custo, por exemplo ONTs e roteadores, mão-de-obra especializada e a quantidade de fibra varia em função do tipo de casa ou condomínio. De qualquer maneira, em projetos de home connect, os custos são colocados no valor da assinatura e fidelidade, de modo que a majoração dos custos de fibra será sentido em um segundo momento, a pressão para aumento de preços ao usuário.
O problema para as operadoras, nesse primeiro momento, são os investimentos em expansão de rede, em que o investimento precisa ser feito sem a certeza de quantos usuários serão conectados mais adiante (take up rate).
“O custo da rede externa no FTTH é a parte mais cara. O custo por km de cabo de 144 fibras óptica gira em torno de US$ 2 mil. No nosso caso, temos 50% de fornecedores chineses. Apesar disso, o impacto das medidas antidumping irá afetar os custos de cabos para todos. Especialmente para os pequenos provedores que trabalham com um único fornecedor. Nesse caso, os impactos serão maiores”, diz um analista.
Contas e mais contas
O executivo ouvido por este noticiário faz uma conta simples no impacto do custo na fibra utilizada para rede externa. “Considerando que o peso de um cabo de 144 fibras é em torno de 150kg/km (pode chegar a 270kg/km dependendo do tipo) então o valor custo adicional antidumping para este cabo seria de 150 kg/km X US$ 2,42/kg = US$ 363/km, isso corresponde a um aumento de 18,15% no custo do cabo (se considerarmos o custo de US$ 2.000/km para este cabo de 144 fibras)”.
Ou seja: considerando que o cabo de fibra é, nas redes externas, 75% do custo, o aumento nos projetos de expansão deve ser, só por conta das medidas antidumping, da ordem de 13%.
Este percentual irá variar em função do tipo do cabo utilizado, pois o custo antidumping é calculado por peso.
Outras fontes dizem que no caso de cabo drop, usado para a conexão final das residências, o aumento de preço pode chegar a 260%, nas simulações das associações que estiveram com o ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin esta semana.
