Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Projeto prepara comunidades da Amazônia para conexão do Norte Conectado

O Projeto Terra Preta iniciou suas atividades de 2026 com o 8º Encontro de Cidadania Digital, na Aldeia Belém dos Solimões, em Tabatinga (AM). A iniciativa, uma parceria entre a EAF e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), prepara comunidades indígenas e ribeirinhas para a chegada da Internet de alta velocidade do programa Norte Conectado.

O foco é capacitar os povos da etnia Tikuna e outras 11 etnias para o uso produtivo da conectividade habilitada pelas infovias subfluviais do programa federal, transformando conectividade técnica em ferramentas de desenvolvimento local.

No primeiro encontro deste ano, a programação priorizou o combate à desinformação (fake news), o uso seguro de redes sociais e o acesso a serviços de Governo Digital (e-Gov) para garantir direitos básicos.

O encontro também marcou o início das transmissões da Rádio A’uma, classificada como a primeira rádio comunitária indígena das Amazônias, além de oficinas de podcasts e construção de mini transmissores.

O evento contou, ainda, com uma feira de comercialização de produtos para o fortalecimento da economia local, apresentações artísticas, danças tradicionais, teatro, grafismo Tikuna e Kokama, contação de histórias Ticuna (Oregü) e o Ritual da Moça Nova (cerimônia de iniciação feminina do povo Tikuna), que encerrou oficialmente o encontro.

O Terra Preta
Desde 2025, o projeto Terra Preta já alcançou 300 lideranças em 12 etnias diferentes, percorrendo estados como Amazonas, Pará e Roraima.

Participaram cerca de 300 integrantes de coletivos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas de, ao menos, doze etnias: Tikuna, Kambeba, Kokama, Mayoruna, Macuxi, Wai Wai, Taurepang, Wapichana, Yanomami, Baniwa, Galibi, Anajás. Ao longo de 2026, já estão previstos novos encontros em Cantá – Serra da Lua (RR) e Ponta de Pedras (PA).

“Estamos capacitando populações que utilizarão a Internet de alta qualidade das infovias para que a tecnologia floresça enraizada aos saberes dos povos amazônicos. Queremos cultivar uma ‘terra preta digital’ onde o aprendizado de novas ferramentas fomente o desenvolvimento das culturas locais, da renda e da cidadania”, afirma o o professor Guilherme Gitahy, idealizador do projeto e docente da UEA.

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