Ericsson aposta em defesa e redes críticas para crescer em 2026
A Ericsson afirmou nesta quinta-feira, 23, que espera um mercado global de redes de acesso móveis (RAN) estagnado ao longo de 2026 e que pretende aumentar os investimentos em defesa, ao mesmo tempo em que aposta no crescimento dos segmentos de missão crítica e corporativo. A sinalização foi feita pelo presidente e CEO da companhia, Börje Ekholm, durante a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre e do exercício de 2025.
“Para 2026, esperamos que o mercado de RAN permaneça estável. Os mercados de redes críticas e enterprise, nos quais estamos bem posicionados, devem crescer. Nesse ambiente, planejamos aumentar os investimentos em defesa ao longo de 2026, ao mesmo tempo em que continuamos a otimizar nossa base de custos para sustentar margens e a geração de caixa”, afirmou Ekholm.
Resultado trimestral dá suporte à estratégia
A leitura estratégica para 2026 é sustentada por um desempenho operacional mais sólido no quarto trimestre de 2025. A Ericsson registrou vendas de SEK 69,3 bilhões (aproximadamente USD 7,6 bilhões ao câmbio de hoje), com crescimento orgânico de 6% na comparação anual. O lucro líquido somou SEK 8,6 bilhões (aproximadamente USD 0,95 bilhão), ante SEK 4,9 bilhões (aproximadamente USD 0,54 bilhão) no mesmo período de 2024.
A margem bruta ajustada atingiu 48,0%, enquanto o EBITA ajustado alcançou SEK 12,7 bilhões (aproximadamente USD 1,4 bilhão), com margem de 18,3%, beneficiado principalmente pela melhora das margens no segmento de Mobile Networks. O fluxo de caixa livre antes de M&A foi de SEK 14,9 bilhões (aproximadamente USD 1,64 bilhão) no trimestre.
De acordo com a companhia, houve crescimento orgânico em todos os três segmentos de atuação. O principal destaque foi Cloud Software and Services, que apresentou crescimento orgânico de 12%, impulsionado pelo avanço das vendas de núcleo de rede e pela maior participação de software no mix.
Desempenho anual e posição financeira
No resultado consolidado de 2025, a Ericsson reportou vendas de SEK 236,7 bilhões (aproximadamente USD 26,04 bilhões), com crescimento orgânico de 2%, apesar de impactos cambiais negativos ao longo do ano. O EBITA ajustado anual totalizou SEK 42,9 bilhões (aproximadamente USD 4,72 bilhões), com margem de 18,1%, resultado que inclui o ganho decorrente da alienação da iconectiv.
O lucro líquido no ano alcançou SEK 28,7 bilhões (aproximadamente USD 3,16 bilhões), frente a SEK 0,4 bilhão (aproximadamente USD 0,04 bilhão) em 2024. A empresa encerrou o exercício com caixa líquido de SEK 61,2 bilhões (aproximadamente USD 6,73 bilhões). Com base nesse desempenho, o conselho de administração informou que irá propor à assembleia geral um programa de recompra de ações no valor de SEK 15 bilhões (aproximadamente USD 1,65 bilhão).
Eficiência operacional e novos vetores de crescimento
Além da ampliação dos investimentos em defesa, a Ericsson reiterou que seguirá priorizando disciplina de custos, eficiência operacional e geração de caixa. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento permanecem focados na evolução de redes móveis seguras, autônomas e nativas de inteligência artificial, consideradas estratégicas para a companhia.
Segundo a empresa, o avanço em redes críticas, aplicações corporativas e soluções voltadas a mercados especializados deve compensar a menor dinâmica do mercado tradicional de RAN, contribuindo para a sustentação de margens e para a diversificação das fontes de receita em 2026.
