Em Davos, CEO da Telefónica alerta para soberania digital e reforço da cibersegurança europeia
O CEO da Telefónica defendeu no começo da semana, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), a necessidade de a Europa desenvolver tecnologia própria em cibersegurança como base para garantir soberania estratégica em um contexto geopolítico cada vez mais fragmentado.
A posição foi apresentada durante participação em painel sobre cibersegurança e inteligência artificial, realizado no âmbito do encontro anual do Fórum Econômico Mundial. Segundo o executivo, a ausência de capacidade tecnológica, infraestrutura e conhecimento aprofundado representa um risco direto à autonomia europeia. “Se você não tem tecnologia, se você não tem capacidade, se você não tem conhecimento profundo, isso é um grande problema. Se queremos ter autonomia, e se estamos entrando em uma era de áreas de influência, a Europa precisa começar a construir cibersegurança”, afirmou.
Segurança como desafio estrutural
No debate, a segurança digital foi caracterizada como um desafio integral, especialmente para operadoras de telecomunicações que atuam em múltiplos mercados. O presidente da Telefónica destacou que, no caso do grupo, a gestão de segurança envolve atender às necessidades de cerca de 350 milhões de clientes nos países em que a companhia opera.
Nesse contexto, ele ressaltou o papel das operadoras como integradoras de soluções tecnológicas. Segundo o executivo, as empresas de telecomunicações combinam produtos de terceiros e assumem a responsabilidade pela gestão da segurança de seus clientes, funcionando como uma camada intermediária essencial entre fornecedores de tecnologia e usuários finais.
Inteligência artificial e riscos cibernéticos
A inteligência artificial foi apontada como um fator ambivalente no cenário de segurança digital. De acordo com o posicionamento apresentado, a IA amplia as possibilidades de atuação de criminosos cibernéticos, ao mesmo tempo em que oferece novas ferramentas e recursos para quem planeja estratégias de defesa preventiva.
O presidente da Telefónica afirmou que cada vulnerabilidade identificada contribui para o fortalecimento dos sistemas de segurança, ao permitir ajustes e correções contínuas. A lógica apresentada é a de que o aprendizado acumulado a partir das falhas torna os ambientes digitais progressivamente mais robustos.
Embora tenha reconhecido que previsões no campo da segurança são sempre arriscadas, o executivo demonstrou otimismo moderado em relação ao futuro. Segundo ele, em um horizonte de cinco a dez anos, a tendência é de que os sistemas se tornem mais seguros, à medida que tecnologias, processos e capacidades de defesa evoluem em resposta às ameaças. (Com assessoria de imprensa)
