Brasileiros com energia solar vão pagar imposto alto em 2026, entenda
Brasileiros que pretendem instalar painéis solares em residências ou investir em geração própria de energia devem se preparar para um aumento significativo de custos a partir de 2026. O motivo é a retomada gradual do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos, medida que encerra um ciclo de incentivos fiscais que estava em vigor desde 2015.
Após anos de estímulos voltados à transição energética, o governo federal passou a reavaliar benefícios concedidos a setores específicos da economia. A energia solar, que se consolidou como uma das principais alternativas renováveis no país, entrou nesse processo de revisão, com impactos diretos sobre o preço dos equipamentos utilizados na geração fotovoltaica.
Por que o imposto está aumentando?
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Fim de incentivos fiscais adotados desde 2015
Durante quase uma década, o setor de energia solar foi beneficiado por regimes especiais que reduziram ou eliminaram o Imposto de Importação sobre painéis fotovoltaicos. O objetivo era estimular a adoção de fontes limpas, reduzir custos ao consumidor e acelerar a diversificação da matriz energética brasileira.
Esses incentivos permitiram uma expansão acelerada da energia solar no Brasil, tanto em grandes usinas quanto na geração distribuída, instalada em residências, comércios e propriedades rurais.
Mudança de política a partir de 2024
A reversão desse cenário começou em janeiro de 2024, quando o governo federal iniciou a reintrodução gradual do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos. O processo foi estruturado de forma escalonada, com aumento progressivo das alíquotas ao longo dos anos seguintes.
A decisão faz parte de uma política mais ampla de revisão de benefícios tributários, adotada com o argumento de fortalecer a indústria nacional e equilibrar as contas públicas.
Como funciona a tributação dos painéis solares
Dependência de equipamentos importados
Atualmente, cerca de 99% dos painéis solares utilizados no Brasil são importados, principalmente da China. A forte presença de produtos estrangeiros no mercado interno é um dos pontos centrais do debate sobre a retomada do imposto.
Com o fim de regimes como ex-tarifários e isenções temporárias, os equipamentos passaram a ser tributados novamente, elevando os custos de importação.
Alíquotas aplicadas entre 2024 e 2026
As primeiras alíquotas aplicadas após a retomada do imposto variaram entre 10,8% e 12%. No entanto, o cronograma oficial prevê aumentos mais expressivos a partir de 2025, especialmente para importações que ultrapassem as cotas estabelecidas pelo governo.
Em 2026, a taxa pode chegar a até 25% sobre o valor dos painéis solares importados, impactando diretamente o preço final pago por consumidores e empresas.
Impacto direto no custo da energia solar
Equipamentos mais caros para o consumidor
O aumento do Imposto de Importação tende a elevar significativamente o custo dos sistemas fotovoltaicos no Brasil. Como os painéis representam uma parte relevante do investimento inicial, qualquer elevação tributária se reflete diretamente no valor do projeto.
Especialistas do setor avaliam que o impacto pode reduzir a atratividade econômica da energia solar, especialmente para consumidores de menor renda e pequenos empreendedores.
Possível desaceleração da geração distribuída
A geração distribuída, modalidade em que o próprio consumidor produz sua energia, foi uma das grandes responsáveis pela popularização da energia solar no país. Com custos mais elevados, o ritmo de novas instalações pode desacelerar a partir de 2026.
Isso afeta desde residências urbanas até produtores rurais que utilizam energia solar para reduzir despesas com eletricidade.
Preocupação do setor de energia solar
Risco de adiamento de projetos
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) avalia que a retomada do imposto traz insegurança regulatória ao setor. Segundo a entidade, a falta de previsibilidade pode levar ao adiamento ou cancelamento de projetos já planejados.
Estimativas indicam que mais de 25 gigawatts em projetos podem ser impactados, o que representa cerca de R$ 97 bilhões em investimentos sob risco.
Impactos sobre empregos e competitividade
Além do impacto financeiro, o setor alerta para possíveis reflexos no mercado de trabalho. A cadeia da energia solar emprega milhares de profissionais em instalação, manutenção, engenharia e serviços associados.
Com a redução do ritmo de crescimento, a geração de novos postos de trabalho pode ser comprometida, além de diminuir a competitividade da energia limpa frente a fontes tradicionais.
Argumentos da indústria nacional a favor do imposto
Proteção da produção brasileira
Representantes da indústria nacional defendem a retomada do Imposto de Importação como uma forma de equilibrar a concorrência. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) argumenta que equipamentos importados chegam ao país com preços artificialmente baixos, muitas vezes beneficiados por subsídios estrangeiros.
Nesse contexto, a tributação serviria para proteger fabricantes nacionais e estimular investimentos na produção local.
Incentivo à nacionalização da cadeia produtiva
Outro argumento favorável ao imposto é a possibilidade de fortalecer a cadeia produtiva brasileira. Com maior competitividade, empresas nacionais poderiam ampliar a fabricação de componentes, gerar empregos e reduzir a dependência externa.
A longo prazo, a expectativa é que o desenvolvimento da indústria local contribua para maior estabilidade de preços e autonomia tecnológica.
FAQ
Quem já tem painéis solares será afetado?
Não. Sistemas já instalados não sofrem impacto direto da nova tributação.
Por que o governo retomou o imposto?
O governo argumenta que a medida busca fortalecer a indústria nacional e revisar benefícios fiscais concedidos nos últimos anos.
A energia solar deixará de valer a pena?
Apesar do aumento de custos, a energia solar ainda pode ser vantajosa no médio e longo prazo, dependendo do perfil de consumo e do planejamento financeiro.
Vale a pena instalar painéis antes de 2026?
Para quem já planeja investir, antecipar a instalação pode reduzir custos, já que as alíquotas tendem a subir nos próximos anos.
Considerações finais
A retomada do Imposto de Importação sobre painéis solares marca uma mudança significativa na política de incentivo à energia limpa no Brasil. A partir de 2026, consumidores e investidores devem enfrentar custos mais elevados, o que pode desacelerar o crescimento do setor.
