Sexta-feira, 13 de Março de 2026

Relatório da EY lista dez principais riscos para telecomunicações em 2026

O setor de telecomunicações enfrenta um cenário de riscos crescentes em 2026, que vai além da adoção de novas tecnologias. É o que aponta o estudo “Os 10 principais riscos nas telecomunicações em 2026”, divulgado pela consultoria EY. O material elenca desafios ligados à confiança, transformação digital, gestão de talentos, desempenho de rede, ambiente geopolítico, além de novos modelos de negócios e sustentabilidade.

Três desses temas se destacam como prioritários para o Brasil: o déficit de confiança em inteligência artificial (IA), as barreiras na gestão de talentos e os desafios na transição tecnológica.

Riscos estratégicos no mercado de telecom em 2026 Segundo a EY

No topo do ranking, o relatório destaca o risco de subestimar mudanças em privacidade, segurança e confiança, seguido por uma transformação ineficaz impulsionada por novas tecnologias e pela gestão inadequada de talentos, competências e cultura organizacional.

Completam a lista o desempenho insuficiente de rede e da proposta de valor, a adaptação limitada ao cenário geopolítico, a dificuldade de capturar novos modelos de negócios, o engajamento ineficaz com ecossistemas externos, a resposta insuficiente às mudanças nas necessidades dos clientes, a má gestão da agenda de sustentabilidade e modelos operacionais inadequados para maximizar a criação de valor.

Novas tecnologias
Segundo a EY, a confiança em IA é hoje um dos pontos mais sensíveis dentro do primeiro risco listado. Embora 82% dos consumidores tenham utilizado ferramentas de IA nos últimos seis meses, apenas 48% acreditam que os benefícios superam os riscos.

As principais preocupações envolvem violações de segurança (64%) e proteção da privacidade dos dados (61%). No setor de telecomunicações, a adoção de práticas estruturadas de IA responsável ainda é inferior à média de outros setores.

Cibersegurança
A cibersegurança aparece como outro fator crítico com base em entrevistas com diretores de segurança da informação (CISOs). Orçamentos limitados, dificuldade de equilibrar inovação e proteção e baixa participação da área de segurança nas decisões estratégicas são alguns dos principais desafios.

Apesar disso, 64% dos CISOs acreditam que a cibersegurança agregará mais valor ao negócio nos próximos três anos, embora 68% reconheçam dificuldades em demonstrar esse valor além da mitigação de riscos.

“A percepção de vulnerabilidade e o aumento das fraudes ampliam a desconfiança do consumidor, exigindo respostas rápidas e eficazes das empresas”, afirma o sócio e líder de consultoria para tecnologia, mídia e entretenimento e telecomunicações da EY para a América Latina, José Ronaldo Rocha.

Transição tecnológica
Ainda de acordo com o estudo, a transição tecnológica “pouco eficaz” como um dos principais riscos.

“Esses desafios se somam às pressões para desligar redes móveis (2G/3G) e fixas (cobre), exigindo gestão cuidadosa para garantir confiabilidade e mitigar riscos. Pesquisas apontam que 58% das empresas de telecomunicações consideram essencial substituir sistemas de suporte operacional e de negócios (OSS/BSS) por sistemas digitais (DSS)”, afima o relatório.

Talentos
“A escassez de profissionais qualificados é um dos pontos mais críticos para o setor de telecomunicações”, diz Rocha. Esse problema é pior em áreas como cibersegurança, IA e ciência de dados.

No Brasil, 85% dos profissionais não possuem habilidades em IA, o que dificulta a execução da transformação digital, aponta a consultoria.

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