Fibra óptica da China ficará 170% mais cara, dizem Telcomp e Abramulti
A Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp) e a Associação Brasileira dos Operadores de Telecomunicações e Provedores de Internet (Abramulti), em nota conjunta, manifestaram críticas à adoção de medidas antidumping sobre de cabos de fibra óptica importados da China.
As entidades alegam que a taxa, decorrente de uma decisão tomada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) em dezembro passado, pode prejudicar as operações das Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs) e políticas públicas em andamento. O assunto foi abordado por TELETIME aqui e aqui.
De acordo com as associações, estimativas preliminares apontam que os cabos ópticos importados da China devem ficar pelo menos 170% mais caros. Além disso, o preço de equilíbrio de todos os cabos de fibra comercializados no Brasil teria um acréscimo de cerca de 50%.
“Isso trará impacto direto na desaceleração da expansão da banda larga, especialmente em regiões menos atendidas e para consumidores de menor renda, ampliando o risco de aprofundamento do abismo digital no País”, afirmam as entidades.
Na nota, a Telcomp e a Abramulti ainda salientam que a alta dos preços, em função das medidas antidumping, deve gerar impactos negativos sobre programas governamentais, notadamente o Aprender Conectado, que visa a levar infraestrutura de banda larga a escolas públicas de todo o País.
As entidades lamentaram o desfecho, até aqui, das discussões em torno do dumping de fibra óptica oriunda da China, destacando que haviam debatido o tema com as pastas que integram o Gecex, o que inclui os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda. O setor também se aproximou do Ministério das Comunicações (MCom) para avaliar os impactos da medida antidumping.
“A Abramulti e a TelComp reiteram que a aplicação de medidas antidumping sobre fibras ópticas e cabos de fibra óptica, mesmo que reduzidas, causarão efeitos sistêmicos sobre o setor de telecomunicações”, afirmam, em trecho da nota.
As entidades não são as únicas a se manifestar reprovando a implementação de taxas adicionais de importação sobre o insumo oriundo da China. A Federação Nacional de Infraestrutura e Redes (Feninfra) apresentou posicionamento semelhante, destacando o encarecimento dos cabos ópticos para provedores regionais e políticas de conectividade.
Medida antidumping
Em dezembro, a Gecex editou duas resoluções aplicando medidas antidumping sobre fibra óptica importada da China. A Resolução Gecex nº 829/2025, por exemplo, estabelece a taxa de US$ 47,46 por quilo de fibra óptica chinesa do tipo monomodo.
Já a Resolução nº 837/2025 implementa a cobrança de US$ 2,42 por quilo de cabo de fibra óptica com ou sem conectorização originário do gigante mercado asiático.
A decisão foi tomada após um processo de avaliação de interesse público, aberto como consequência de petições apresentadas por fabricantes de cabos ópticos no Brasil.
Empresas como Prysmian e Lightera (antiga Furukawa Electric) argumentavam, pelo menos desde 2023, que o produto chinês, por praticar um preço sensivelmente mais baixo, prejudicava a indústria nacional, pondo em xeque, inclusive, a continuidade das operações de produção no Brasil.
