Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026

Empresas de telecom terão ano com desafios em relação à confiança e transição tecnológica, diz EY

Um estudo feito pela consultoria e auditoria Ernst & Young (EY) levantou os principais riscos que as empresas de telecomunicação enfrentarão ao longo de 2026 (veja abaixo). O documento mostra que o período terá uma transformação digital acelerada, com desafios em relação à confiança, gestão de talentos e transição tecnológica, com desafios repentinos, voláteis e interconectados, culminando em um universo que exigirá maior agilidade das empresas.

“As empresas que sairão vencedoras em meio à crescente volatilidade e incerteza serão aquelas com estratégias baseadas em informações sobre riscos e com processos de gestão estreitamente alinhados com seus objetivos e métricas estratégicas”, observa a EY, que lista três ações de mitigação: revisitar o roteiro de riscos, focar na mudança cultural e de métricas, e gerir os riscos de ponta a ponta.

Dificuldades com IA e inovação

A empresa também aborda a resistência cultural à inovação. Segundo ela, os players parecem estar ficando para trás quando o assunto é inteligência artificial em relação a outros setores: questões como falta de recursos, complexidade regulatória e até dificuldade na hora de priorizar o uso da tecnologia. Segundo a consultoria, essas empresa estão assumindo riscos ao não promoverem auditorias internas, criarem políticas de ética e certificação de terceiros.

Ao mesmo tempo, elas promovem transformações ineficazes através da IA, que é adotada de forma rápida, enquanto há uma forte emergência na desativação de sistemas legados, como redes 2G/3G e infraestruturas de cobre. O cenário culmina em uma dicotomia: de um lado, parte das companhias de telecomunicação afirma que vai acelerar o aporte em inteligência artificial, enquanto outras informam que pretendem reduzir ou reconsiderar os valores investidos.

Do profissional ao operacional

No documento, a EY também aponta que há escassez de competências e resistência cultural para a inovação e o uso de IA dentro das companhias de telecomunicação. A consultoria afirma que, no Brasil, cerca de 85% dos trabalhadores do setor não têm conhecimento suficiente para trabalhar com inteligência artificial. Além disso, a demanda por cibersegurança cresce, mas as empresas ainda enfrentam dificuldades para ofertarem salários mais competitivos em relação a outros segmentos, como o de finanças e de tecnologia.

Em meio a isso, há um ambiente geopolítico instável, no qual as companhias sentem dificuldade para responder com agilidade, oferecendo um desempenho de rede inadequado e falhando no atendimento ao cliente, especialmente quando o assunto é segurança digital.

A sustentabilidade também entra na lista de riscos. A prova disso é que a pesquisa mostra que 60% dos líderes de empresas de telecom afirmam que estão reconsiderando os prazos dos compromissos de sustentabilidade, por conta do cenário econômico do setor.

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