Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

MVNOs vão ganhar mais de 100 milhões usuários até 2030, aponta Juniper

Um estudo realizado pela Juniper Research mostra que, até 2030, o número de usuários de MVNOs no mundo deve subir de 333 milhões para 438 milhões, um aumento de mais de 100 milhões. Com a elevação no número de usuários, a Juniper estima que o modelo de serviço deva chegar a uma receita de US$ 54,4 bilhões (R$ 292,13 bilhões) em 2030, sendo US$ 1,9 bilhão (R$ 10,20 bilhões) oriundo de MVNOs in a box (Telecom-as-a-Service).

O crescimento da base de conexões de MVNOs é atribuído à expansão desse de MVNO in a box, em que fintechs, varejistas, influenciadores digitais e até celebridades estão oferecendo serviços de telecomunicação para ampliar e fidelizar clientes, de forma rápida e escalável, além de diversificar a fonte de receita.

Entre os exemplos citados pela consultoria estão a Mint Mobile, que teve uma alavancagem feita pelo ator Ryan Reynolds e foi avaliada em US$ 1,35 bilhão (R$ 7,25 bilhões); o Nubank, que integrou a oferta de serviço móvel no seu aplicativo; e o Walmart, que permite que pontos de fidelidade sejam trocados por assinaturas móveis.

Cenário no Brasil

Olinto Sant’Ana, presidente da Associação Brasileira de Operadoras Móveis (ABRATUAL), observa que essa tendência vem se consolidando nos últimos anos e ressalta que os resultados ainda são modestos. “Grandes players que se aventuraram no setor, como Porto Seguro e Safra, abandonaram o modelo de MVNO in a Box”, explica. Para ele, o movimento é uma iniciativa de marketing, mas que não deve ganhar relevância. “Esse mercado só deve progredir com empresas totalmente focadas nele”, opina.

Segundo Sant’Ana, o crescimento no Brasil, partindo do fato de que o país detém 3% do market share mundial, seria de 3 milhões de clientes em 2030. O número, de acordo com ele, está abaixo do que é visto na Ásia, Estados Unidos e Europa, onde a presença das MVNOs responde por 10% a 20% do mercado.

Sant’Ana também considera que o cenário a longo prazo não deve ser dos mais otimistas no país. Em agosto, o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) foi aprovado pela Anatel e alterou as regras de roaming, MVNOs e uso de espectro. Na época, um dos conselheiros retirou do PGMC a regulamentação de ofertas de atacado para MVNOs e modelos de exploração industrial de radiofrequência (EIR). A medida foi bastante criticada pelo setor, que argumenta que ela restringe a competição entre MVNOs ao estabelecer um contrato de exclusividade entre elas e as operadoras.

Riscos

O mercado de MVNOs é bastante amplo e oferece diversas oportunidades, no entanto, tem seus riscos. Em seu levantamento, a Juniper destaca que o principal deles é o dano à marca, já que o que mais conta é a qualidade. Por essa razão, as Mobile Virtual Network Enabler (MVNEs) in a box priorizam empresas que saibam atender seus clientes. Entretanto, a consultoria recomenda que o cuidado não se restrinja apenas ao serviço, mas também ao atendimento ao cliente.

“Isso significa que as plataformas de Gestão de Valor do Cliente (CVM), as plataformas de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM) e as soluções de atendimento ao cliente devem ser abrangentes e abordar casos de uso de ponta ou de nicho”, alerta a Juniper.

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