Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026

Setor empresarial do Brasil celebra avanço em acordo com a União Europeia

Entidades empresariais brasileiras saíram satisfeitas com a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, selada após 25 anos de negociações. A decisão da UE ocorreu na sexta-feira (9) e exigiu o aval de pelo menos 15 dos 27 Estados‑membros, representando no mínimo 65% da população do bloco.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou o desfecho um avanço para a inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria. A entidade destacou dados de 2024: a UE respondeu por 14,3% das exportações brasileiras e, segundo seus cálculos, cada R$ 1 bilhão exportado ao bloco gerou 21,8 mil empregos, R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

A CNI também apontou potencial de ampliação de relações comerciais com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, cujas trocas com o Brasil ainda são modestas e podem crescer, sobretudo nos setores de indústria, tecnologia e consumo interno.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) descreveu o acordo como marco estratégico para o setor químico, por ampliar o acesso a um grande mercado consumidor, estimular investimentos, fortalecer a inovação e impulsionar agendas de sustentabilidade alinhadas a princípios ESG. A entidade vê oportunidades em cadeias de maior valor agregado e em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o tratado representa um marco para o comércio internacional em um contexto de instabilidade geopolítica. A associação projeta aumento das exportações do setor eletroeletrônico à UE entre 25% e 30% no médio prazo e aponta que o acordo deve facilitar a diversificação de fornecedores de insumos.

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) prevê que o pacto abrirá várias oportunidades e atrairá investimentos europeus para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com efeitos positivos para a região sul‑americana.

Entre as federações estaduais, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstrou entusiasmo, apesar de avaliar o texto como imperfeito. A entidade ressaltou que participou ativamente das negociações e que o acordo pode alterar substancialmente as formas de comércio, importação, exportação e investimento entre Mercosul e UE. A Fiesp afirmou que será necessário intensificar esforços de inovação e produtividade para aproveitar as oportunidades.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou o potencial do acordo para ampliar a corrente de comércio, atrair novos investimentos e elevar o PIB industrial, além de diversificar parcerias em um cenário geopolítico tenso.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) qualificou o resultado como positivo, mas recomendou cautela na análise dos impactos sobre a indústria. A Fiemg informou que Minas Gerais manteve relação comercial superavitária com a UE entre 2021 e 2025, com exportações somando cerca de US$ 31,0 bilhões e importações de US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 17,62 bilhões. A federação apontou benefícios potenciais para setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias integradas como a automotiva, ao mesmo tempo em que ressaltou a necessidade de atenção a segmentos sensíveis e a exigências sanitárias e regulatórias.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) avaliou a aprovação como avanço relevante após mais de duas décadas de discussões. A entidade observou que medidas tarifárias adotadas por outros países ressaltam a importância de acordos que ampliem a capilaridade do comércio brasileiro. A Faesp também chamou a atenção para salvaguardas adotadas por países europeus destinadas a proteger cadeias produtivas locais e alertou para problemas como a importação intensa de leite em pó, que afeta a cadeia do leite no Brasil.

Com a chancela da UE, o pacto dá um passo político importante rumo à assinatura, mas ainda são necessárias etapas subsequentes — assinatura formal e processos internos de cada país para ratificação e implementação — antes da entrada em vigor.

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