Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Abinee prevê até 30% de aumento nas exportações com acordo Mercosul-UE

Os setores produtivos da indústria brasileira diretamente ligados às tecnologias de informação e comunicação veem a aprovação pelo Conselho da UE do Acordo Comercial e o Acordo Comercial Provisório da União Europeia com o Mercosul como algo positivo para a relação entre os dois blocos. É o caso da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) que vê um potencial de aumento de até 30% das exportações do setor eletroeletrônico no médio prazo.

A Abinee lembra que há mais de 20 anos o Brasil perdeu os benefícios do Esquema Europeu do Sistema Geral de Preferências (SGP), uma chancela concedida pela Europa a países em desenvolvimento. Como resultado houve perda de competitividade das exportações brasileiras, ante fornecedores beneficiados pelo SGP, como Turquia e Índia.

“Com o acordo, a indústria instalada no Brasil ganhará competitividade em relação a esses países, podendo abrir novos mercados”, informou a associação em nota enviada para esta publicação. “Acrescentamos que a desoneração das exportações, prevista na Reforma Tributária, também poderá estimular as vendas externas industriais nesse novo cenário”, completou

Por sua vez, a Fiesp recebeu com entusiasmo a notícia do acordo, mas afirmou que o trabalho principal começa agora: “Caberá a todos nós inovar, melhorar a produtividade e buscar incessantemente a excelência da porta para dentro das fábricas, onde já fazemos frente aos competidores europeus. E trabalharemos para assegurar a isonomia competitiva que permita ao empreendedor nacional prosperar e tirar o máximo proveito das oportunidades que o acordo oferece”, disse Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias paulistas.

Comércio e serviços
Em comércio e serviços, a parceria também é analisada com bons olhos. Para o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, o livre comércio entre os dois blocos permitirá eliminar tarifas bilaterais e como consequência facilitará:

Compra de produtos de nações europeias por sul-americanos com valores mais baixos;
Atração investimentos da Europa para o Mercosul;
Expansão do mercado exportador de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Já a Associação Latino-Americana de OTT e Streaming (Abbotts) afirmou em resposta ao Mobile Time que o acordo UE-Mercosul deve ser analisado mais como um vetor de médio e longo prazo para o ecossistema digital e menos como um fator de impacto imediato em redução de preços: “Em OTT e SVA, os ganhos potenciais estão mais ligados à eficiência, cooperação tecnológica e integração de cadeias de valor do que propriamente à redução direta de preços ao consumidor”, diz trecho da nota.

“Em relação à presença de plataformas brasileiras na Europa, entendemos que o caminho passa por parcerias estratégicas, coproduções e modelos de distribuição conjunta, respeitando as particularidades regulatórias e culturais do mercado europeu”, completou a associação, que se prepara para este novo cenário com estímulo ao diálogo, maturidade regulatória e estratégia de internacionalização responsáveis.

Próximos passos
Aprovados pela Comissão da UE nesta sexta-feira, 9, os dois documentos criam uma área de livre comércio entre os dois blocos, que somam 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões.

Vale lembrar, o Mercosul foi criado em 1991 e atualmente é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de Venezuela (suspensa desde 2017) e da Bolívia, que aguarda aval para ser um membro pleno do bloco.

A UE tem no momento 27 países-membros em seu bloco: Alemanha; Áustria; Bélgica; Bulgária; Croácia; Chipre; Tchéquia; Dinamarca; Estônia; Finlândia; França; Grécia; Hungria; Irlanda; Itália; Letônia; Lituânia; Luxemburgo; Malta; Países Baixos; Polônia; Portugal; Romênia; Eslováquia; Eslovênia; Espanha; Suécia.

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