Natura capta R$ 1,3 bilhão em títulos verdes
A Natura Cosméticos, controlada pela Natura &Co, concluiu nesta semana a captação de sua primeira série de debêntures atreladas a metas de sustentabilidade. O título, que soma R$ 1,33 bilhão em recursos, está condicionado à companhia alcançar a marca de 49 bioinsumos amazônicos no catálogo até 2027- atualmente são 44. Caso a meta não seja atingida, com verificação em duas etapas até o vencimento dos papéis, está estabelecido pagamento de um prêmio aos investidores.
A captação, no formato de “sustainability-linked bonds” (SLBs), incluiu um aporte de R$ 300 milhões da International Finance Corporation (IFC) como investidor-âncora e outro de R$ 200 milhões do BID Invest como investidor de impacto. As duas instituições são os braços para o setor privado do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, respectivamente.
A emissão dos papéis atrelados ao cumprimento de metas de sustentabilidade deve aproximar as instituições financeiras da população amazônica e fomentar o crédito na região, de acordo com a vice-presidente de finanças e estratégia da Natura &Co América Latina, Silvia Vilas Boas. A executiva destacou a parceria com dois dos maiores bancos multilaterais do mundo.
A Natura considera que ao aproximar os bancos dos produtores da região amazônica, a avaliação e o acompanhamento das metas vão ajudar as instituições a mensurar melhor o risco.
A demanda pelos títulos, de acordo com Vilas Boas, foi “extremamente alta”. A executiva aponta que a parceria com as duas instituições, responsáveis por 40% da emissão, deve fomentar a médio prazo o crédito na região amazônica. Isso deve ocorrer com o maior volume de informações para gerenciamento de risco por parte das instituições financeiras. A executiva afirma que o processo de auditoria e “due dilligence” (auditoria prévia) do IFC e do BID para a concessão desse tipo de crédito é “muito profundo”.
“A gente tem o desafio de fazer o recurso chegar lá na ponta. Quem consegue arcar com taxa de juros de dois dígitos? Como uma grande instituição financeira vai dar crédito para quem não tem holerite, não tem um histórico de relacionamento com o mercado financeiro como uma empresa como a Natura?”, observou a executiva.
O desafio é “o recurso chegar lá na ponta. Quem consegue arcar com juros de dois dígitos?” — Silvia Vilas Boas
Vilas Boas afirma ainda que esta é a primeira debênture brasileira atrelada a bioativos da Amazônia. A operação foi estruturada em duas etapas. A companhia, que possui 44 bioinsumos amazônicos catalogados, deve alcançar 47 ingredientes até 2025. Já em 2027, a meta é ter 49 ingredientes catalogados.
Se as metas não forem alcançadas, a companhia deve pagar um prêmio aos investidores, de 0,15 ponto percentual ao final da primeira verificação e de 0,3 ponto ao final da segunda. A taxa de juros da operação equivale ao custo do CDI acrescido de 1,2%.
“Nosso modelo de negócios é desenhado dessa maneira e nos permite ter informação suficiente e auditável para atrelar esse indicador a esse instrumento financeiro”, afirmou Vilas Boas.
As metas foram anunciadas pela Natura em setembro de 2023, no âmbito do programa Visão 2030, lançado em 2020. No ano passado, foi revisto e ampliado após o cumprimento de parte das metas. Há quatro anos, a meta era atuar com 34 comunidades amazônicas na cadeia de suprimentos, número que foi superado. Atualmente, a empresa tem 41 comunidades parceiras. Até 2030, o objetivo é aumentar em quatro vezes a compra de insumos amazônicos.
