Indústria eletroeletrônica fatura R$ 27 bilhões em Minas Gerais e consolida força no Brasil
Exportações e mercado interno impulsionam a indústria eletroeletrônica, que fecha 2025 com R$ 27 bilhões em Minas Gerais.
A indústria eletroeletrônica encerra 2025 com faturamento de aproximadamente R$ 27 bilhões em Minas Gerais, consolidando o Estado como o terceiro maior polo do setor eletroeletrônico brasileiro.
O desempenho foi apresentado nesta quarta-feira (10), durante um encontro com lideranças empresariais em Belo Horizonte, e reflete a combinação entre expansão de mercados, força produtiva local e robustez da linha de equipamentos elétricos.
O resultado chama atenção porque foi alcançado em um contexto econômico ainda desafiador. Mesmo assim, o faturamento da indústria eletroeletrônica superou as expectativas iniciais, reforçando a relevância estratégica de Minas Gerais para o setor no cenário nacional.
Setor eletroeletrônico brasileiro avança apesar de cautela empresarial
Presente no encontro, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, avaliou o desempenho como surpreendente.
Segundo ele, os números positivos contrastam com um ambiente de cautela entre os empresários ao longo do ano.
“Percebemos que, embora o empresário ainda não esteja tão confiante, os indicadores vieram melhores do que esperávamos”, ressaltou Barbato. Para o dirigente, a indústria eletroeletrônica mostrou resiliência ao longo de 2025, mesmo diante de incertezas econômicas.
Exportações de eletroeletrônicos impulsionam Minas Gerais
As exportações de eletroeletrônicos tiveram papel decisivo para o desempenho do setor no Estado. Ao longo de 2025, as vendas externas somaram US$ 610 milhões, o que representa 8% de todos os embarques nacionais do segmento.
Esse resultado reforça a vocação de Minas Gerais para o mercado internacional. Segundo Barbato, a competitividade externa segue como prioridade, apesar das dificuldades estruturais. “Minas tem uma vocação exportadora muito forte.
Nosso desafio é continuar ganhando competitividade apesar do ‘custo Brasil’, que ainda nos impõe limitações”, explicou.
Telefonia e setor elétrico sustentam mercado interno
No mercado doméstico, a telefonia, impulsionada principalmente pelos smartphones, manteve desempenho dentro das expectativas.
O segmento segue como um dos pilares da demanda interna por eletroeletrônicos em Minas Gerais.
Além disso, o setor elétrico também se destacou em 2025.
A comercialização de equipamentos elétricos dentro do próprio Estado contribuiu de forma relevante para o faturamento da indústria eletroeletrônica, equilibrando o desempenho entre mercado interno e externo.
Capacidade produtiva indica espaço para expansão
Apesar dos números expressivos, o setor ainda apresenta margem para crescimento. Atualmente, as fábricas da indústria eletroeletrônica em Minas Gerais operam com cerca de 78% da capacidade instalada.
O setor emprega aproximadamente 28 mil trabalhadores de forma direta no Estado, o equivalente a 10% do total nacional.
Para Barbato, esse cenário mostra que há espaço para ampliar produção e empregos. “Acreditamos que ainda podemos crescer mais, aproveitando que não existe setor mais inovador do que este”, afirmou.
Juros elevados limitam consumo e crescimento
O avanço do setor poderia ter sido ainda mais expressivo não fosse o impacto da alta taxa de juros no consumo. Embora a indústria eletroeletrônica não seja uma grande tomadora de crédito, ela sente diretamente os efeitos da retração da demanda.
“O consumidor que depende do crédito sente diretamente o peso da Selic. Se eleva a taxa para 15%, naturalmente reduz a demanda.
Com juros menores, estaríamos vendendo muito mais”, comentou Barbato. Assim, o desempenho do setor segue fortemente ligado ao ambiente macroeconômico.
Câmbio favorável ajuda a recuperar margens
Por outro lado, o recuo do dólar nos últimos meses trouxe alívio para o setor.
Como a indústria eletroeletrônica depende de insumos importados, o câmbio mais favorável ajudou a recuperar margens, ampliar a ocupação das fábricas e melhorar o resultado final do ano.
Além disso, o dirigente destacou que um melhor controle fiscal do governo federal, após a inflação entrar em patamares aceitáveis, será essencial para sustentar o crescimento do setor.
Expectativas para 2026 seguem positivas
Para 2026, o cenário é de cautela, mas com otimismo moderado. O ano será marcado por feriados prolongados, eleições e a Copa do Mundo, fatores que tendem a impactar o ritmo de consumo e produção.
Por outro lado, o evento esportivo deve impulsionar a venda de TVs e eletrônicos, ajudando a compensar períodos de menor atividade.
A projeção do setor é de um crescimento real de 3% no faturamento, levemente abaixo dos 4% registrados em 2025.
No consolidado nacional, o setor eletroeletrônico brasileiro fechou 2025 com faturamento de R$ 270 bilhões, reforçando sua relevância para a indústria e a economia do País.
