Quarta-feira, 4 de Março de 2026

Lixo eletrônico pode chegar a 82 Milhões de toneladas até 2030

Atualmente, o lixo eletrônico é um dos resíduos que mais cresce no mundo: em 2022, a produção global atingiu 62 milhões de toneladas e deve atingir 82 milhões de toneladas até 2030, conforme dados da ONU.

O Brasil é o quinto maior produtor de resíduos eletrônicos do mundo, liderando na América Latina, e enfrenta o desafio do descarte inadequado desses materiais.

Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos
Inaugurada em dezembro de 2024, em São José dos Campos (SP), a unidade de mineração urbana da Ambipar é a maior da América Latina em capacidade para reciclar eletroeletrônicos e eletrodomésticos. No primeiro ano, processou 20 mil toneladas de lixo eletrônico, convertendo em matéria-prima que voltou para a indústria.

Embora ainda não tenha alcançado seu potencial máximo de até 80 mil toneladas anuais, os resultados são promissores.

Marcelo Oliveira, head global de E-Waste da Ambipar, destaca: “Desde que começamos, a unidade tem crescido constantemente, consolidando processos, integrando mais fornecedores e recebendo uma variedade maior de equipamentos, desde pequenos eletrônicos até eletrodomésticos grandes.”

O investimento de R$ 100 milhões permite a separação detalhada dos componentes do lixo eletrônico, como plástico, ferro, alumínio, cobre, latão, inox, placas eletrônicas, papel e papelão.

A planta aceita desde itens pequenos e médios até grandes eletrodomésticos, incluindo fogões, máquinas de lavar, micro-ondas, ventiladores, rádios, celulares e ferros de passar.

Logística Reversa
A logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos é operada no Brasil por várias cadeias, incluindo a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) e a Gestora de Logística Reversa de Equipamentos Eletroeletrônicos (Green Eletron).

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, lançado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), em 2024 a Green Eletron reciclou cerca de 7,3 mil toneladas desses materiais.

Marcelo Oliveira ressalta que, ao contrário da mineração tradicional, a mineração urbana recupera metais nobres muito mais eficientemente: enquanto uma tonelada de minério contém cerca de 5 gramas de ouro, uma tonelada de placas eletrônicas recicladas pode render até 800 gramas do metal.

Segundo a Ambipar, o resultado da extração na planta é dividido em 55% metais ferrosos, 6% metais não ferrosos, 30% plásticos e 9% outros materiais.

“A planta de mineração urbana eleva o nível da reciclagem no país ao usar tecnologia avançada, total rastreabilidade dos materiais e alta eficiência na recuperação de metais. Estamos convertendo resíduos em matérias-primas valiosas para a indústria, diminuindo a extração mineral e fortalecendo a economia circular em grande escala”, afirma Marcelo Oliveira.

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