Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Watch aposta em novo portfólio, plataforma de música e expansão internacional

A Watch, plataforma de conteúdo para provedores de serviços de Internet (ISPs), está renovando o seu portfólio de streaming de vídeo e fortalecendo a sua plataforma de áudio para fazer frente aos principais players do mercado.

A empresa também entende que chegou a hora de brigar por preço para vencer a pirataria, além de planejar escalar as operações internacionais.

A estratégia da Watch foi detalhada pelo presidente e cofundador, Maurício Almeida, em entrevista ao TELETIME durante o Abrint Nordeste, evento realizada em Fortaleza na semana passada.

De acordo com Almeida, a empresa está melhor posicionada para fazer ofertas mais flexíveis aos provedores após ter concluído um investimento em tecnologia em meados deste ano. Com isso, agora quase toda a operação de streaming é feita pela própria Watch, exceto o player de gerenciamento de direitos digitais (DRM, na sigla em inglês).

Outro fator que deve impulsionar as ofertas é o volume de contratos que a empresa tem com estúdios e programadores de conteúdo. Neste ponto, inclusive, o executivo destacou que, até o fim deste ano, a Watch vai renovar todo o portfólio de streaming de vídeo.

“Vão entrar novos conteúdos, novos estúdios. Estamos bastante avançados com novos canais lineares e FAST [conteúdos gratuitos suportados por anúncios]”, indicou.

“Teremos um preço mais atrativo e vamos criar um problema maior para os fornecedores de conteúdo pirata, porque o preço é um dos motivadores do clientes”, acrescentou Almeida, que também é presidente do Conselho Antipirataria da Associação Brasileira de OTT e Streaming (Abotts).

O executivo ainda afirmou que a empresa está na etapa final da confecção de contratos com “quatro grandes fornecedores de conteúdo”. A partir do ano que vem, a prioridade da Watch será trabalhar com conteúdos “ingestados” (internalizados) na plataforma, de modo que o assinante tenha facilidade para acessar todo o acervo mediante um único login e senha – ou seja, sem ter que acessar outra plataforma digital.

A expectativa é de que a plataforma conte com aproximadamente 15 mil horas de conteúdo de vídeo sob demanda (VOD) e mais 30 canais ao vivo, entre lineares e FAST.

Estratégia com ISPs
A Watch encerrou outubro com mais de 2,3 mil provedores parceiros. A empresa afirma estar incrementando a carteira com aproximadamente 100 ISPs por mês.

Segundo Almeida, há mais de um ano, a plataforma não tem meta de quantidade de provedores, mas busca aumentar o engajamento de cada parceiro, visando ampliar as vendas para o cliente final.

Para isso, a Watch tem elaborado ofertas customizadas para cada prestador de banda larga, além de investir em treinamento de vendas junto aos parceiros.

“O provedor que acha que o produto vai se vender sozinho, como a banda larga se vendeu até 2023, não performa. Temos tentado mostrar que hoje se faz uma venda muito mais proativa e consultiva”, ressaltou – acrescentando que, atualmente, o cliente não se mostra tão atraído por planos de Internet com velocidades mais altas, o que aumenta a importância dos serviços de valor adicionado (SVAs) para o incremento de receitas.

Plataforma de música
Uma aposta da Watch para 2026 é a Awdio, plataforma de streaming de áudio lançada há cerca de um ano. Atualmente, o aplicativo dá acesso a mais de 8 mil rádios e inclui uma seleção de audiobooks.

Ao TELETIME, Almeida contou que a empresa acabou de fechar um contrato para inclusão de catálogo de músicas. Com isso, a plataforma ganha corpo para competir com serviços digitais de streaming de áudio, como Spotify e Deezer.

“Acabamos de fechar essa parceria. Vai levar uns três ou quatro meses para lançar a oferta, é um catálogo enorme para fazer frente aos grandes concorrentes”, garantiu Almeida. “Vamos ter a Awdio rádio, audiobook e music. Isso tudo vai expandir o portfólio dos provedores parceiros”, complementou.

O presidente da Watch não revelou o número atual de assinantes da Awdio, mas disse que o produto “vem tendo uma boa aceitação” e, em breve, deve estar disponível em todas as cidades em que a empresa opera no Brasil, em torno de 4,5 mil municípios.

Novos negócios
Em setembro, a Watch anunciou a entrada do fundo Hindiana em seu capital social. Almeida disse que a empresa já tem se beneficiado do ecossistema do investidor, sobretudo nas áreas de segurança cibernética e publicidade.

Inclusive, a entrada no mercado de publicidade e mídia é o próximo passo da estratégia de negócios. “Vamos entrar forte em monetização do nosso próprio inventário e de terceiros. Isso vai ser bastante importante para a empresa”, pontuou o executivo.

O mercado de fornecimento de tecnologia para streaming é outro que tem sido explorado pela Watch, sobretudo pela subsidiária Watch Labs. No Brasil, empresas como Globo, CNN e Claro utilizam soluções da Watch em suas operações de transmissão de conteúdo.

Neste segmento, a estratégia também inclui expandir a atuação internacional da Watch. Sendo assim, o escritório de Lisboa, responsável por fechar negócios na Europa, deve deixar de ser o único para além do território brasileiro.

“No ano que vem, pretendemos ter um escritório na América do Norte para vender a nossa tecnologia fora do Brasil”, asseverou Almeida.

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