Segunda-feira, 9 de Março de 2026

TIM leva 5G à Antártica

A TIM assinou nesta quarta-feira, 26, um acordo com o Ministério das Comunicações e com a Marinha para a ampliação da capacidade de comunicação da Estação Antártica Comandante Ferraz, que passará a contar com capacidade 5G a partir de fevereiro de 2026.

A assinatura aconteceu na Embaixada da Itália, com presençca dos ministros das Comunicações (Frederico de Siqueira), Ciência e Tecnologia (Luciana Santos) e Defesa (José Mício), além do presidnete da Anatel, Carlos Baigorri, e representantes da Marinha.

“Conectar a Antártica com o 5G é abrir novas possibilidades para a ciência. A conectividade encurta distâncias e fortalece as relações profissionais e humanas. Agora a nova tecnologia pode potencializar esse avanço. Em um momento em que debates globais, como os da COP30, reforçam a urgência climática e ambiental, usar a tecnologia para apoiar as pesquisas na Antártica torna-se essencial”, afirmou Alberto Griselli, CEO da TIM.

A operadora é, desde 2023, responsável por assegurar conectividade à estação, que é parte do Programa Antártico Brasileiro. Foi uma missão assumida pela TIM como decorrência da incorporação da Oi Móvel, que prestava o serviço anteriormente.

Segundo Marco Di Costanzo, CTO da TIM, a operadora tem, ano a ano, ampliando a capacidade da conexão que serve a estação e um raio de 10 km em torno dela. “Começamos ampliando a capacidade de backhaul, com um satélite LEO complementando o satélite GEO, depois levando o 4G nas faixas de 700 MHz e agora o 5G”, diz.

Ele destaca que com a nova tecnologia será possível oferecer aplicações com menor latência e ampliar a capacidade de dispositivos conectados à rede.

Costanzo destaca que a rede é usada não apenas para comunicação das equipes com o Brasil, mas também para transmitir dados de pesquisa, segurança e movimentação dos profissionais que ficam na estação e também monitoramento de sensores e dispositivos IoT para pesquisa. “Vamos evoluir as aplicações e em breve poderemos ter inclusive aplicações com slicing de rede na Antártica”; a função assegura banda reservada e protegida para o uso científico.

A conectividade da Estação Comandante Ferraz acaba sendo utilizada por pesquisadores até mesmo da estação Polonesa, a 9 km de distância, e também para o fluxo de turistas que passam pela região. Não é raro, por exemplo, que cruzeiros se aproximem da estação para utilizar o sinal da TIM. Mas o foco, diz Marco Di Costanzo, é no uso científico e dia-a-dia da população permanente da base, que pode chegar a 255 pessoas considerando os navios da Marinha.

Conectar a Antártica é uma tarefa complexa do ponto de vista logístico e operacional. Daniel Stertz, gerente sênior de tecnologia da TIM, responsável pela implementação da rede, explica que a primeira dificuldade é a pequena janela de trabalho, de apenas dois meses no verão Antártico, e a dificuldade de deslocamento de equipes.

“Contamos muito com o suporte do pessoal e dos equipamentos da Marinha”, explica ele. Isso significa treinar e capacitar esses técnicos, até porque, uma vez que a rede entre em operação, são eles que dão a primeira linha de atendimento.

A logística de levar os equipamentos é complexa, pois são oito dias de viagem, com frequência limitada pelas condições climáticas e operacionais. “Não podemos esquecer uma peça ou ferramenta”, diz Marco di Costanzo.

A operação local também é cuidadosa, pois precisa observar os equipamentos que dão suporte ao link (uma antena para o satélite da Hispasat e outro para a Starlink), à antena, à estação rádio base em si (a parceira é a Nokia) e também a conectividade dentro da estação, com acesso FWA. A única parte da rede que não fica na Antártica é o core. Nesse caso é utilizada a estrutura no Rio de Janeiro.

O 5G é necessário para dar a cobertura para a conectividade. Até seria possível atender, com uma conexão de satélites, apenas a estação por meio de uma rede Wi-Fi, mas as pesquisas são feitas em campo, e nesse sentido apenas as redes móveis podem dar a abrangência necessária.

“A vantagem é que lá não tem nenhuma interferência de sinal, então conseguimos cobertura bastante significativa com apenas uma antena”, explica Stertz. Essa cobertura do 4G (e, a partir de fevereiro, do 5G) é essencial para a segurança dos pesquisadores.

“Uma das variáveis que definem as zonas de risco é o alcance da comunicação, e nesse caso a nossa rede ampliou bastante os limites de atuação das equipes de pesquisa”. Algumas equipes militares passam o ano na estação. Já pesquisadores civis costumam ficar de um a dois meses.

Compartilhe: