Exigências ESG precisam considerar porte de pequenas operadoras
As prestadoras de pequeno porte (PPPs) do setor de telecomunicações têm avançado na agenda de governança ambiental, social e corporativa (ESG), mas também avaliam que a abordagem regulatória pretendida pela Anatel para o tema deve considerar os diferentes portes e realidades de operadoras do setor.
Durante o TelecomESG, evento promovido pela TELETIME nesta quarta-feira, 26, em São Paulo, o ponto foi levantado por algumas das principais PPPs do Brasil. “Vemos a parte de regulação com alguma cautela, pois algumas exigências ou indicadores de comparação podem ser uma régua meio alta para as PPPs”, resumiu Luciana Ferreira, head de relações institucionais, ESG e estratégia da Brisanet.
“Neste processo evolutivo, estamos caminhando agora com o envolvimento de fornecedores. É mais fácil quando são fornecedores de equipamentos, mas mais complicado com fornecedores de serviços locais. Talvez as [operadoras] nacionais não sintam tanto, mas para as PPPs, há um desafio para acomodar”, completou Luciana.
Perspectiva similar foi apontada por Paloma Mansano, chief legal officer da Alares. “A regulamentação é bem-vinda porque obrigatoriedade gera previsibilidade, [mas] claro que há desafios: é preciso diferenciar os portes entre as empresas, porque impactos e os fornecedores são diferentes de uma grande”.
Já Thamyris Alonso, gerente de ESG e de comunicação institucional da Vero, pontuou que a abordagem da reguladora deve exigir mais um “salto de maturidade significativo” na jornada empreendida pelas empresas. Por outro lado, “o fato da Anatel fomentar a agenda também ajuda os profissionais de ESG a sensibilizar as lideranças”, observou.
Análise caso a caso
Pela agência, a assessora especial da superintendência executiva da Anatel, Ana Beatriz Rodrigues de Souza, destacou que o objetivo não é realizar a “regulamentação pela regulamentação” da temática ESG. Neste sentido, a sinalização é que diante da diversidade de empresas, poderão ser feitas análises caso a caso, com identificação de oportunidades de melhorias em cada contexto.
Rodrigues destaca que em 2026, a reguladora do setor deve implementar a primeira edição do Selo ESG na cadeia de telecomunicações, tema que deve chegar ao Conselho Diretor da Anatel ainda neste ano e que pode facilitar a obtenção de financiamento verde entre empresas do segmento. Segundo a servidora, a Anatel ainda tem um desafio interno que se estruturar do ponto de vista de pessoal e de recursos para conseguir fazer o acompanhamento necessário para a boa execução da ideia do Selo ESG.
Em paralelo, o próximo leilão de 700 MHz deve ser o primeiro da agência a contar com metas específicas relacionadas à agenda ambiental, social e de governança corporativa. Segundo Rodrigues, a proposta da agência foi aprovada pelo TCU e um detalhamento do que será exigido está sendo atualmente elaborado pela agência.
Avanços
Neste meio tempo, a agenda ESG tem avançado de forma voluntária entre as pequenas operadoras.
A Alares, por exemplo, destacou que já possui 100% de sua frota de veículos com emissões compensadas e 90% de uso de energia renovável em suas unidades, apontou Paloma Mansano. Na área social, a empresa destacou o programa Elas na Técnica, que incentiva a atuação de profissionais do gênero feminino em atividades técnicas.
Na Vero, um Plano ESG 2030 está em franca implementação, aponta Thamyris Alonso. As iniciativas envolvem a reutilização de equipamentos, o uso de energia renovável e um inventário de emissões; além disso, a Vero beneficia centenas de escolas por meio do Instituto Escola Conectada. Em breve, a empresa ainda passará a promover um censo interno de diversidade.
Já a Brisanet utiliza energia solar há algum tempo em sua operação de banda larga, sediada no interior do Ceará. Hoje, mais de 85% do consumo de energia da empresa é baseado em fontes renováveis, sobretudo solar e eólica. Luciana Ferreira também aponta que a operadora tem “um dos maiores índices” de recolhimento de equipamentos, seguido do descarte adequado. Ela também destacou o projeto de agricultura familiar incentivado pela Brisanet e por seus acionistas, que remunera famílias de agrucultores pela geração de energia elétrica limpa utilizada pela Brisanet.
