Quinta-feira, 12 de Março de 2026

Mercado móvel desacelera com IoT em baixa; celular pós-pago cresce

O mercado móvel brasileiro desacelerou em setembro. Após registrar o melhor desempenho de 2025 em agosto, com 1,3 milhão de novos acessos, o resultado no mês seguinte foi mais contido: apenas 323 mil chips líquidos foram ativados no período. O principal fator responsável por isso foi a queda brusca no setor de conectividade para Internet das Coisas (IoT).

Em setembro, o Brasil desativou 442 mil linhas de IoT — que são os chips presentes em dispositivos como máquinas de cartão de crédito, sensores, rastreadores e outros. A única vez que o País observou redução desse número em 2025 foi em janeiro, quando 149 mil acessos foram perdidos.

Uma das razões que podem explicar a queda no balanço divulgado pela Anatel é que duas empresas relevantes no mercado móvel IoT não reportaram informações de acesso referentes ao mês de setembro: Emnify e NLT. Juntas, essas operadoras somavam quase 1,3 milhão de acessos em agosto.

Mas vale lembrar que com a proximidade do final do ano e com a incerteza sobre a prorrogação da desoneração das taxas do Fistel sobre IoT (a continuidade do benefócio ainda depende de aprovação no Senado) muitas operadoras tendem a desativar acessos que não estejam em uso.

O mercado
Se somarmos as conexões de celulares “humanos” (chamados de “padrão” pela Anatel) e as de dispositivos móveis IoT, o Brasil registrou 268,8 milhões de acessos no mês de setembro de 2025.

Mercado móvel: acessos no BrasilArte: Teletime

Se excluído o mercado de IoT, as ativações de linhas de celulares tradicionais também foram baixas. Isso porque a adição líquida desses acessos foi de apenas 1,7 mil. Com isso, o Brasil encerrou setembro com 216,4 milhões de acessos desse tipo.

Mercado móvel: celulares Arte: Teletime

A Brisanet foi a empresa que mais ganhou clientes móveis no período: 56 mil. Em seguida, apareceu a MVNO Surf, que ativou 55 mil chips. Enquanto isso, as três maiores operadoras do Brasil (Claro, TIM e Vivo) fecharam a contagem de adições líquidas no vermelho.

Pós-pago
No caso das operadoras Claro, TIM e Vivo, a perda na base tem a ver com a redução das linhas de celular pré-pago. Por outro lado, cada vez mais os consumidores brasileiros estão optando por planos de telefonia pós-pagos — que geram tíquetes mais altos para as teles.

mercado móvel: pós-pago em setembroArte: Teletime

Quando se analisa apenas as ativações de chips nessa modalidade de pagamento, o resultado em setembro foi positivo e bem diferente do observado na contagem líquida da base total. No período, foram 675 mil novas linhas desse tipo ativas. Segunda maior base móvel do País, a Claro teve o melhor desempenho do mercado móvel no pós.

Ao todo, o Brasil tem 119,9 milhões de chips de celular no pós, contra 96,4 milhões que ainda funcionam baseados em ofertas pré-pagas.

5G
A quinta geração de redes móveis no Brasil seguiu ritmo estável de crescimento no Brasil. O País fechou setembro com 53,3 milhões de acessos 5G, se considerarmos apenas os chips que estão presentes em smartphones. O salto no período foi de 1,2 milhão de linhas.

mercado móvel: 5G em setembro de 2025Arte: Teletime

Maior operadora móvel do Brasil, a Vivo foi a companhia que mais ganhou usuários na rede em setembro. Foram 537 mil a mais no período. A Claro ficou na segunda posição (+467 mil), seguida pela TIM (+261 mil). As provedoras regionais também registraram crescimento.

IoT
Como adiantado, o mercado de IoT teve um resultado fora do comum. Foram 442 mil acessos a menos em relação a agosto. A tecnologia machine-to-machine (M2M) foi a responsável por deixar esse saldo negativo, já que o sistema da Anatel registrou desconexões de 786 mil linhas desse gênero.

IoT no Brasil em setembro2Arte: Teletiem

 

As companhias que operam acessos IoT no Brasil somaram 51,7 milhões de acessos. A Vivo segue como a maior operadora deste segmento no País, com 18,5 milhões de linhas ativas. Em seguida vem a Claro (16,9 milhões) e a TIM (6,9 milhões), seguidas das prestadoras de pequeno porte.

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