Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Embargo dos EUA deixa Huawei sem horizonte para oferecer celulares no Brasil

 Quatro anos já se passaram desde a imposição de embargo do governo americano contra as gigantes chinesas de tecnologia, e parte dos seus efeitos ainda é sentida fora dos Estados Unidos. No Brasil, as consequências das sanções americanas selaram a decisão da Huawei de não retornar tão cedo com as vendas de seus aparelhos de celular no país, afirmou Deve Huang, diretor de comunicação para América Lantina do fabricante chinês. 

 O executivo da Huawei explicou que a barreira aos fabricantes chineses trouxe duas implicações severas. A primeira recaiu sobre a proibição de uso de chips de alta tecnologia embarcada produzidos por companhias americanas nos aparelhos chineses. Isso, segundo ele, levou a um rearranjo com parceiros asiáticos para suprir a alta demanda por componentes eletrônicos de ponta. 

 Outro efeito, mais difícil de contornar em relação ao mercado brasileiro, envolve a proibição de uso das plataformas digitais mantidas pelas empresas de tecnologia americanas bastante difundidas fora da China. Executivos da companhia defendem que seus smartphones já desbancam em muitos aspectos os produtos com preços mais elevados, como a qualidade de câmera do modelo iPhone, da Apple, e da linha de aparelhos com tela dobrável da Samsung.

Sem Android

 Em conversa com jornalistas, do centro de inovação da Huawei, na cidade de Shenzhen, Huang lembrou que os aparelhos da Huawei não puderam mais ser vendidos com o sistema operacional Android, do Google, que oferece a loja virtual com aplicativos populares. Se fosse, agora, adquirir um celular da empresa chinesa, não seria possível usar os serviços de e-mail e de geolocalização mantidos pela empresa americana. 

 “Então, quando você tem o dispositivo pronto, você precisa do software para rodar nele”, afirmou Huang, que reconheceu haver alta demanda por serviços como Gmail e Google Maps. O sistema Android está presente nos aparelhos de praticamente todos os concorrentes, com exceção da Apple que tem iOS. Concorrentes diretos em outros mercados, como Samsung e LG, vendem smartphones e tablets com o sistema da Google. 

A Huawei tentou, nos últimos dez anos, emplacar seus smartphones no mercado brasileiro. A disputa acirrada com fabricantes que ofereciam aparelhos a preços mais populares, sendo desafiada a lidar com o complexo e caro sistema tributário brasileiro, fez a empresa sequer considerar a permanência no negócio quando ocorreu o embargo proposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em 2019. De acordo com a divisão de negócios da Huawei para a América Latina, a série mais recente de aparelhos, Pura 70, está disponível para venda em cinco países da região: México, Colômbia, Costa Rica, Peru e Chile. 

HarmonyOS em 150 mil apps

 Huang explicou aos jornalistas que o amadurecimento de um novo ecossistema digital leva tempo. Em resposta imediata às situações criadas pelos EUA, a Huawei lançou, naquela ocasião, o sistema operacional HarmonyOS, que já vinha sendo internamente desenvolvido. O executivo afirmou que a plataforma já conta com cerca de 150 mil aplicativos. 

 Outra consequência do embargo americano envolve a proibição de venda de equipamentos de redes. A empresa ocupa uma posição de destaque na fabricação de equipamentos da Outra consequência do embargo americano envolve a proibição de venda de equipamentos de redes. A empresa ocupa uma posição de destaque na fabricação de equipamentos daNeste caso, a disputa acirrada é com a finlandesa Nokia e sueca Ericsson.

 Mesmo com restrições vindas do ocidente, os smartphones da Huawei, por outro lado, têm o uso disseminado em toda China e países vizinhos. Em Shenzhen, a empresa tem uma loja conceito onde apresenta as principais novidades do mundo da conectividade. Além de exibir carros de montadoras chinesas com sua tecnologia embarcada, a Huawei expõe a linha de smartphones com câmeras potentes e aparelhos com a tela dobrável. 

Maior centro de inovação da Ásia 

A cidade de Shenzhen é considerada o maior centro de inovação tecnológica da Ásia. Esta semana Huang acompanhou a visita de representantes da imprensa latino-americana ao centro de exibição de novos equipamentos de redes de telecomunicações ambientados em cenário que sugere maior integração das tecnologias com a natureza. O estande de exibição fechado para convidados traz dispositivos de interação dos usuários com imagens em 3D e ambiente virtual que foram desenvolvidos pela gigante chinesa. 

 Na cidade onde está sediada, executivos da Huawei fazem questão de demonstrar como a inovação de produtos é recebida por empresas e o governo. O aeroporto internacional Shenzhen Baoan, por exemplo, conta com sistema de inteligência artificial da empresa para os passageiros realizarem o check-in inteligente.

 

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