Terça-feira, 3 de Março de 2026

EUA fecham acordo bilionário de energia nuclear para IA

A Westinghouse Electric Company anunciou ontem que o governo dos EUA assinou um acordo de “parceria estratégica” de US$ 80 bilhões (cerca de R$ 430 bilhões) para aumentar a geração de energia nuclear para abastecer o setor de inteligência artificial (IA). Segundo a empresa, a nova parceria entre o governo e a Brookfield Asset Management e a Cameco, proprietárias da Westinghouse, “acelerará a implantação de energia nuclear e IA nos EUA”.

Um porta-voz da Westinghouse disse que o acordo está relacionado com os decretos do presidente, Donald Trump, emitidos em 23 de maio, para a criação de dez “novos grandes reatores com projetos completos em construção até 2030”. A empresa não especificou quando os reatores nucleares começarão a funcionar. O projeto será financiado pelo governo dos EUA, de acordo com o porta-voz.

Este é o maior investimento do governo americano em energia nuclear desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro. Gigantes da tecnologia, como Google e Microsoft, também revelaram investimentos significativos para atender à alta demanda energética da IA.

IMAGEM NEGATIVA. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a iniciativa “ajudará a concretizar a grande visão de Trump de energizar totalmente os EUA e vencer a corrida global da IA”. Os EUA não constroem uma usina nuclear nova desde 2009. Além disso, por mais de uma década, haviam abandonado esta fonte de energia, sobretudo devido à imagem negativa frente à opinião pública.

A impopularidade se devia, em grande parte, a uma série de acidentes: Three Mile Island (EUA, 1979), Chernobyl (antiga União Soviética, 1986) e Fukushima (Japão, 2011). Os dois últimos reatores postos em funcionamento custaram mais de US$ 30 bilhões (R$ 161 bilhões, em valores atuais), mais do que o dobro dos US$ 14 bilhões previstos inicialmente. Mas a guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia, provocou um desequilíbrio no mercado de energia, o que levou os países a diversificarem suas matrizes. A isso se somou o aumento do consumo de energia elétrica nos EUA, impulsionado pelo auge dos centros de dados e a revolução da computação em nuvem e da IA.

HISTÓRICO. A Westinghouse Electric Company é uma filial da histórica empresa de energia Westinghouse Electric Corporation, fundada em 1886, em Pittsburgh. A empresa declarou falência em 2017. Ela foi adquirida, no ano seguinte, pela companhia de investimentos Brookfield Corporation, acionista majoritária. A gigante canadense do urânio Cameco possui participação minoritária. •

Lembranças Acidentes como o de Chernobyl fomentaram impopularidade da energia nuclear no mundo

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