Sábado, 14 de Março de 2026

Conectividade não basta: líderes de telecom apontam que o valor está na tecnologia embarcada

O debate sobre o futuro das operadoras e provedores de internet deixou de ser uma questão de tecnologia e passou a ser de modelo de negócio. Em painel na Futurecom, executivos de operadoras, integradoras e empresas de tecnologia discutiram como o setor de telecomunicações se reposiciona diante da digitalização e da pressão por novos fluxos de receita; com as transformações de Telcos, empresas tradicionais de telecomunicações, em TechCos, empresas de tecnologia.

A mensagem do debate foi unânime: a conectividade se tornou commodity. Para Rui Gomes, CEO da Um Telecom, o valor está na camada digital e na inteligência embarcada nos serviços. “Tem muitos provedores que ainda não exploram cloud. A conectividade hoje é commodity; o que agrega valor são os benefícios e soluções digitais. Na Um Telecom, 30% da receita já vem de tecnologia”, afirmou.

Na mesma linha, Rafael Podestá, CRO da IHS Latam, reforçou que o mercado já não tolera interrupções e que a expectativa de disponibilidade total está redefinindo os papéis das operadoras.

“A gente está num mundo de tanta conectividade que ninguém mais aceita esperar. Conectividade virou commodity”, disse, citando a expansão recente de cobertura móvel em corredores urbanos como a Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo. O projeto teve participação da Vivo na ampliação do sinal 5G, conforme divulgado pela própria operadora.

O movimento aponta que, enquanto o tráfego cresce exponencialmente, o retorno sobre infraestrutura física se estreita. Para os executivos, provedores que não avançarem para serviços digitais e soluções integradas tendem a perder competitividade.

A transformação não se resume à oferta de novos produtos, mas à mudança cultural e operacional dentro das empresas. Rudinei Gerhart, CEO da ISP do Brasil, comparou o setor à lógica do agronegócio: “Quando você planta café e vende café, está na commodity. Quando escala o produto e agrega tecnologia, você entra em outro setor. É isso que estamos fazendo nas telecomunicações.”

Tamaris Parreira, CEO da Twilio, trouxe a perspectiva de empresas nativas digitais: “Em pouco mais de um ano, aumentamos em 25% a receita conectando a camada de inteligência à experiência do cliente. Tecnologia não é um jogo que se joga sozinho.”

Gerhart complementou que a mudança de Telco para TechCo exigirá incentivos e colaboração entre governo, academia e iniciativa privada. “Virar Techco vai pedir investimento. Para viabilizar tecnologia, precisa de incentivo. Isso é o que chamo de tríplice L da tecnologia: liderança, laboratório e legislação.”

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